O conceito de família no século XXI

Enviada em 25/06/2021

A família desempenha um papel crucial na formação dos indivíduos.É nela que se iniciam os primeiros contatos interpessoais, que inferem diretamente na transmissão  de valores, cultura e costumes, além de ditar normas e condutas de acordo com o meio no qual estão inseridos.Em épocas remotas, o conceito de família se aplicava somente a união de homens e mulheres, que por sua vez custumavam gerar descendentes sanguíneos.Conquanto, ao se observar o conceito de família no século XXI, vê-se as transformação as quais esta intituição está sujeita, se moldando e se configurando de diversas formas.

Em primeira análise, é válido ressaltar os novos conceitos de família que vem se formando no século atual.Uma pesquisa realizada pelo IBGE, em 2010, detectou 60 mil famílias homoafetivas no Brasil.Nesse sentido,a união de casais do mesmo sexo, na maioria dos casos, resulta na adoção de  crianças, dando início a formação de novos arranjos familiares.Entretanto, a união homoafeitiva atrelada ao conceito de família ainda é muito estigmatizada e sofre inúmeros preconceitos, os quais inferem na sua invalidação enquanto núcleo familiar, ainda que o casamento gay seja reconhecido como entidade familiar desde 2011, pelo Supremo Tribunal Federal.Outrossim, a Constituição de 1988, em seu artigo 226, considera a família a base da sociedade tendo, portanto, especial proteção do Estado.Dessa maneira, faz-se necessária a validação de todos os arranjos familiares na sociedade, como prevê a Magna Carta.

Ademais, é importante apontar a separação de muitos casais como sendo um dos impulsionadores da dissociação dos antigos núcleos familiares em razão da formação de novas configurações.Dessa forma, novas famílias constituídas por pais separados, filhos da atual relação e de relações anteriores é uma realidade cada vez mais comum.De acordo com O Livro de Ouro do Sexo, escrito pela psicanalista Regina Navarro, uma em cada cinco crianças é criada sem a presença de um dos pais.Diante de tal exposto, fica evidente que a família não é uma instituição imutável e estática, estando sujeita a se transformar de acordo com as mudanças dos contextos sociais a qual se aplica, o que é visível no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os obstáculos que visam invalidar os diversos arranjos familiares apenas por serem diferentes dos modelos tradicionais.Cabe ao Estado, através do Ministério da cidadania - órgão responsável pela elaboração e desenvolvimento das políticas de desenvolvimento social, a criação de medidas que fomentem aceitação das novas configurações familiares, por meio de campanhas que quebrem preconceitos e mostrem o amor e cuidado proviniente das mesmas, a fim de ratificar sua importância e veracidade, mostrando que a família é plural e mutável.