O conceito de família no século XXI

Enviada em 25/06/2021

Na conjuntura atual do país, é debatido bastante a respeito do modelo estrutural de uma família e suas diferentes maneiras de organização. Com base nisso, fica evidente que, devido a uma sociedade preconceituosa associada ao conservadorismo exarcebado e o preconceito velado para com essas famílias, essa problemática se torna vigente no corpo social brasileiro.

Primordialmente, vale mencionar o seriado de comédia “Modern Family”, em que se mostra o cotidiano de três famílias distintas enquanto discute temas importantes como tolerância e discriminação, quebrando paradigmas estruturais do conservadorismo (no qual se estabelece o modelo “tradicional” de família, de homem, mulher e filhos consanguíneos) e trazendo uma nova vertente do que é ser família, evidenciando o compenheirismo, amor e respeito mútuo. Fora da ficção, a realidade no âmbito social  se apresenta díspare, tendo em vista que o preconceito para com aqueles que não seguem os padrões impostos pela sociedade ainda persistem de modo corriqueiro, o que, consequentemente, é fator agravante do entrave.

Similarmente, é válido ressaltar o  Estatuto das Famílias, em que reconhece-se expressamente a possibilidade do casamento e da união estável entre “pessoas”, sem distinção de sexo, ou seja, sem a obrigatoriedade de serem homem e mulher. Entretanto, vale dizer que, na Constituição Federal, o texto legal ainda fala sobre a união entre “homem e mulher”, o que por sua vez evidencia que há um preconceito velado desde o âmbito legislativo, lugar em que não deveria existir distinção alguma, mas sim igualdade para qualquer pessoa,  o que revela a nítida discriminação intrínseca no meio social.

Com base no contexto analisado, é imprescindível que o problema do estigma relacionado às famílias existentes seja resolvido. Para tanto, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, enquanto orgão responsável por implementar, promover e assegurar os direitos humanos no Brasil, inclusive promover políticas que defendam os direitos das mulheres, famílias e das classes desfavorecidas, bem como a sua inclusão na sociedade, implantarem projetos de conhecimento a respeito dos atuais modelos familiares, evidenciando todos os benefícios presentes nos diferentes moldes de organização familiar, com o objetivo de aperceber a população de que independentemente do arquétipo familiar, todos merecem respeito. Aliado a isso, as mídias digitais e televisivas devem divulgar informações a respeito do projeto, de forma que mais pessoas sejam alcançadas, para que possuam mais conhecimento e, assim, mirre a discriminação presente na sociedade.