O conceito de família no século XXI

Enviada em 25/06/2021

Na obra pré-mordenista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, de maneira análoga, os empecilhos em torno do conceito de família no Brasil é um provável imbróglio social no qual o major Quaresma entenderia como fator da ruptura das engrenagens nacionais. Com efeito, seja pela deturpada construção social, seja pela negligência estatal, esse infortúnio persiste na teia coletiva. Urge, assim, a necessidade de analisar e buscar ações para superar essa questão.

Nesse contexto, evidencia-se por parte da deturpada construção social, um estado inercial frente à problemática. A respeito disso, é fulcral destacar a bolha social em que a sociedade quer estar inclusa - por não aceitar a mudança de pensamentos  - como fator catalisador dessa questão. Por conseguinte, o a homofobia impede, assim, o andamento das engrenagens sociais. Ilustra bem tal fato, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, onde ele diz que a sociedade detém padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos - como a formação dos inúmeros ataques diários a casais homoafetivos.

Ademais, vale salientar a negligência estatal na busca de ações efetivas para sanar esse crime. Com base nesse viés, Zygmunt Bauman, pensador polonês, definiu como “Instituição Zumbi” as entidades políticas e sociais com ações lenientes. Portanto, a metáfora proposta por Bauman é evidenciada em “terras tupiniquins” onde o Estado - provedor de garantias coletivas - não oferece ao corpo social políticas públicas efetivas no combate ao preconceito exposto. Em consequência disso, ocorre a transgressão da Constituição Federal de 1988, a qual garante o direito ào bem estar social no seu artigo 6°.

Para isso, faz-se mister buscar ações para sanar esse quadro. Com isso, convém ao Congresso Nacional, mediante aumento nos investimentos - o qual será possibilitado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - ampliar o setor da família, por meio de fiscalizações das verbas direcionadas à área e criações de projetos sociais para mais informações sobre uma nova concepção de família, com vistas à consolidação de um cenário permeado da coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis. Além do mais, cabe às escolas promoverem ações sociais com profissionais qualificados, para romper o quadro da bolha social. Desse modo, o sonho de Quaresma tornar-se-ia realidade.