O conceito de família no século XXI

Enviada em 25/06/2021

A música “Tempos Modernos” do artista brasileiro Lulu Santos, cita a condição em que a coletividade considera válida toda relação afetiva, sem preconceito e descriminação. Entretanto, grande parcela do corpo social não aceita os novos conceitos de família que surgiram no século XXI, contribuindo para exclusão social de qualquer grupo que não se enquadre na estrutura tradicional familiar- composta por duas pessoas de sexos opostos e sua descendência.Essa problemática, está arraigada na sociedade não só por fatores sociais, mas também políticos.Logo, faz-se mister buscar medidas que remodelem esse cenário desafiador.

Em primeiro plano, a construção social deturpada eleva a problemática em questão.Desse modo, consoante Georg Hegel, a realidade está atrelada a mentalidade, assim a realidade não muda se a mentalidade não mudar.A partir desse pressuposto, a história da humanidade estabeleceu como tradição um modelo de família patriarcal, representado por a figura do pai, como membro principal e responsável por decisões. Por conseguinte, parte da população baseando-se nesse pensamento arcaico considera como indissociável essa estrutura, violentando e excluindo grupos homoafetivos e grupos formados por parentes que não sejam os pais dos indivuos envolvidos.

Outrossim, a inércia estatal provoca o aumento da desigualdade na convivência dessas famílias em sociedade. Dessa maneira,  Gilberto Dimentein, escritor brasileiro, conceituou como cidadania de papel a condição de direitos garantidos, tão só, formal-juridicamente, sem materialidade e existência social. Sob análise  dessa perspectiva, as instâncias governamentais, são negligentes frente a ocorrências de descriminação uma vez que não oferece informação de qualidade nas escolas sobre os direitos basilares da igualdade e liberdade. Por conseguinte, tais comportamentos são normalizados, e causam transtornos psiquicos em quem é vítima de tal violência. Dessa forma, observa-se a manifestação da cidadania de papel, devido ao não cumprimento dos direitos fundamentais.

Diante dos fatos supracitados, é necessário lançar ações que equilibrem essa conjuntura. Portanto, convém ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimentos- o qual será possibilitado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- ampliar as políticas públicas de informação e de educação sobre os direitos sociais, por meio de capanhas, palestras e materiais, que abordem artigos constitucionais que versam sobre direitos do cidadão e sobre as consequências judicias advindas da descriminação, para que as variadas formas de família possam conviver harmonicamente em sociedade.