O conceito de família no século XXI

Enviada em 18/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvart Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelos diferentes modelos de família é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desses reveses, dentre as quais se destacam o individualismo e a falta de representatividade.

Diante desse cenário, é imperioso notar que o individualismo potencializa a problemática dos modelos de família em discussão no Brasil. Logo, é válido destacar as famílias compostas por mães ou pais solos como fator crucial no país, sendo cerca de 10,1 milhões de famílias, de acordo com o IBGE. Diante disso, é nítido o abandono paterno durante a gestação ou o desabrigo materno após o nascimento das crianças. Segundo as ideias do filósofo contratualista John Lock, configura-se como “contrato social”, já que a comunidade não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a família, o que é infelizmente evidente no país.

Além disso, é fundamental apontar a falta de representatividade como grande impulsionador do debate sobre os modelos da família brasileira. Conforme o ícone Martin Luther King, a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar do mundo. Torna-se necessário ressaltar, nesse sentido, que grande parte das famílias homoafetivas sofrem com grande preconceito existente na sociedade, tratando-os com diferenças e de forma injusta. Nesse contexto, considera-se que os casais homossexuais não tem muita visibilidade devido à desinformação e ao “padrão” imposto na comunidade.

Para isso, o Conselho Federal de Psicologia, deve criar um treinamento gratuito sobre empatia, por meio de aulas ao vivo nas redes sociais, a fim de combater o abandono que gera a problemática dos modelos de família em discussão no Brasil. Tal ação pode, ainda, contar com uma cartela em PDF para ser baixada e impressa. Para tanto, a escola, formada em criticidade, deverá abordar a ideia entre alunos da educação básica, em um plano anual, com psicólogos e professores especializados. Paralelamente, é preciso intervir também sobre a representatividade LGBTQ+ presente no problema. Dessa forma, os direitos constitucionais poderão ser garantidos.