O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 18/09/2023

O consumismo e a cultura da ostentação surge como uma forma de afirmar o status-quo de um indivíduo ou grupo perante a sociedade, e não é diferente no Brasil. Esse aspecto hostil da cultura evidencia e perpetua caracteristicas de um sistema sem valores, desigual e injusto. Dessa forma, é necessário compreender as causas e consequencias do problema, para que possa ser superado.

Karl Marx afirma que a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundos das coisas. Isso implica que a supervalorização dos bens materiais, que se materializa como uma forma de distinção entre grupos e classes sociais, necessariamente acarreta a desvalorização do ser humano como ser social, dotado de direitos e deveres, assegurados no Brasil pela Constituição Federal de 1988. Em suma, a ostentação se torna, no consciente coletivo, uma forma de provar não só o sucesso no sistema capitalista, mas o valor e a dignidade como pessoa humana.

Além de perpetuar a existência de valores morais distorcidos, a cultura da ostentação e do consumismo no Brasil também evidencia a falta de consciência e preocupação com a desigualdade intrinseca ao próprio sistema. O “sucesso” de uma pessoa no capitalismo está diretamente relacionado ao capital que esta possui. Entretanto, o montante que um indivíduo acumulará ao longo de sua vida está relacionado a fatores que são determinados desde o nascimento e independem do mérito, como condição financeira dos pais, que determinará as oportunidades de estudo e aprendizagem da pessoa, ou mesmo a cor de pele e o tipo de cabelo, tendo em vista o racismo estrutural brasileiro, explicitado por Gilberto Freyre no livro “Casa Grande e Senzala”.

Diante do exposto, torna-se necessário o combate ao consumismo e cultura de ostentação no Brasil como forma de reparo dos valores morais e consciencia acerca as desigualdades, que precisam ser eliminadas. Desse modo, é imperativo que os influenciadores digitais mudem de postura diante do público: que passem a exibir cada vez menos suas riquezas e passem a ensinar seus seguidores sobre consciência de classe, injustiças sociais e como combate-las. Apenas assim, um Brasil mais justo será construído.