O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 19/09/2023
A consolidação do “American Way of Life” na década de 1950 nos Estados Unidos, e sua futura expansão para o globo determinaram uma nova fase do capitalismo: a globalização das economias, e um novo modelo de consumo, irrefreável e expan -
sionista, o neoliberalismo. Diante de gritantes desigualdades na periferia do capital, como no Brasil, é preciso entender como a formação de mercados consumidores ocorre, o que é o fetichismo da mercadoria, acerca da destruição dos espaços públicos, vitrines sociais, e o que pode ser feito para solucionar esse empasse.
A fala da ex-primeira ministra britânica na década de 1980, Margaret Tatcher, demarca bem a nova realidade econômica: “There is no Alternative”, o mundo entra em uma nova fase de individualização, criação de micro-espaços, destruição de espaços públicos e a transposição de características humanas na mercadoria consumida, este último descrito por Karl Marx em “O Capital” como o “Fetichismo da Mercadoria”, onde marcas e produtos substituem a comunidade, e que solidificados por uma necessidade de acumulação, reafirmam o consumismo.
Consequentemente, a avaliação social promovida pelos pares de alguém ganha novas formas: as redes sociais, “os likes e as curtidas”, tornam-se a maneira de medir o “valor” social de um indivíduo. Porém, isto não é um processo orgânico. Segundo o Banco Central ocorreu uma desvalorização de mais de 150% desde o Plano Real em 1994, o que somado ao constante processo de sucateamento das prefeituras brasileiras desde o governo FHC tornaram o ambiente público hostil a jovens e adultos, que agora buscam aprovação no espaço ilusório digital.
Portanto, é necessário debater a relação consumista utilizando seus próprios meios de comunicação, a propaganda. O Poder Legislativo e Executivo - na figura respectiva de bancadas progressistas e do Ministro da Infraestrutura, Publicidade e da Cultura - devem promover uma campanha de conscientização, revitalização de municípios e debate nacional acerca do consumo consciente por meio da regulação da propaganda e de PL enviada ao Legislativos , com a finalidade de criticar o marketing capitalista e monopolista brasileiro, promovendo maior reflexão, ressurgimento de espacos públicos e uma ruptura com o atual modelo de negócios na América Latina.