O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 23/09/2023
No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, ao transformar o consumismo em um meio de realização pessoal, a protagonista torna sua situação financeira preocupante. De maneira análoga à ficção, os brasileiros ultrapassam suas condições econômicas e se endividam pela forma que a cultura de ostentação é propagada no Brasil. Sendo assim, a busca pela aprovação e a desigualdade social são motivos para esse cenário.
Diante disso, de início, faz-se revelante pontuar a busca pela validação como fator da cultura de ostentação. Segundo o pensador francês Guy Debord, o conceito de “sociedade do espetáculo” revela que o indivíduo faz da sua vida um espetáculo, de modo que cria uma realidade fictícia. Nesse contexto, atualmente, essa “encenação” é exposta nas redes sociais em busca de validação, por meio de curtidas, de outros usuários. Assim, bens materiais de alto valor, muitas vezes, tem a função de complementar a identidade pessoal do usuário, pois aparentam ser fruto de um sucesso financeiro. Isso, mesmo que irreal, atrai a aprovação pública.
Ademais, a desigualdade social alarmante no Brasil é um potencializador da problemática. Conforme o sociólogo Pierre Bordieu, as classes sociais possuem determinados padrões de consumo que as diferem. Dessa forma, para não serem inferiorizados, muitos brasileiros consomem o estilo de vida de uma classe superior a sua própria. Portanto, tendo em vista o abismo social no país e a discrepância de tratamento que isso gera, a população abdica sua saúde financeira para ser respeitada. Assim, faz-se um endividamento em escala nacional.
Depreende-se, portanto, o freamento da cultura da ostentação no Brasil. Para tal, cabe ao Ministério da Educação possibilitar um ensino de administração financeira, mediante aulas e palestras com economistas, para o ensino médio e superior público, a fim de estabelecer um controle financeiro aos jovens. Além disso, é necessária a contratação de psicólogas para atendimentos individuais nas escolas. Isso terá a finalidade de promover a autoconfiança na juventude para que os alunos não busquem aprovação de outrem. Assim, a realidade da personagem no longa permanecerá, somente, na ficção.