O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 21/09/2023
Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, Manuel Jorge destaca que a carência de cultura normativa resulta na ineficácia social dos textos constitucionais. Para o autor, embora o Brasil seja formalmente moldado pela Constituição Federal, os direitos por ela garantidos, frequentemente, não são aplicados na prática. Nessa perspectiva, essa situação se reflete na realidade, em que o consumismo e a cultura da ostentação agem como obstáculo à efetividade da Carta Magna. Esse problema decorre não só da negligência governamental, mas também da apatia social.
Percebe-se, inicialmente, que a frágil atuação do Poder Público possui relação com o revés. Nessa conjuntura, conforme o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado deve agir para concretizar as normas da sociedade em que opera. Nesse sentido, o equívoco surge ao supor que essa premissa é plenamente aplicada em todos os setores da comunidade. Tal deficiência do sistema institucional em suprir as demandas da nação resulta em espetacularização do consumo exagerado, o que corrobora para o aumento da desigualdade social, visto que é uma realidade inatingível para a maioria da população. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.
Ademais, faz-se mister, ainda, salientar a falta de ação social como agravante do problema. Nesse viés, o filósofo alemão Zygmunt Bauman, em seu legado, ilustra a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade diante dos dilemas enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, nota-se que o estímulo ao consumismo encontra terreno fértil na estagnação social. Isso ocorre devido à sociedade não se mobilizar para erradicar essa questão; ao contrário, assume uma postura individualista. Assim, observa-se que a mudança do comportamento social é crucial para superar o paradigma.
Diante do exposto, o Governo Federal, responsável por administrar o povo e os seus interesses públicos, deve elaborar campanhas de conscientização, através de planejamento colaborativo com influenciadores digitais, que visem estimular o consumo consciente. Dessa forma, os brasileiros verão os princípios da Carta Magna como uma realidade.