O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 25/09/2023

Publicado em 1947, o livro " Dialética do Esclarecimento", do sociólogo alemão Theodor Adorno, retrata que os conglomerados empresariais atuantes na comunicação são a base para a formação capitalista da sociedade ocidental. Nessa visão, pode-se relacionar o consumismo e a cultura de ostentação brasileira ao paradigma de mercado capitalista, o qual incentiva o intenso fluxo comercial. Como resultado, a natureza sofre devastação devido à produção industrial, o que requer medidas estatais para o controle ideológico e ambiental desse cenário.

Segundo o pensador alemão, a sociedade capitalista utiliza os veículos de informações para criar a “Indústria Cultural”, a qual representa a homogeneização da cultura e de pensamentos. Dessa forma, a homogeneidade da sociedade facilita o mercado comercial, pois os itens requeridos pelas diversas populações serão os mesmos, o que representa a máxima lucratividade das empresas. Além disso, essas corporações incentivam de maneira contínua o consumo exagerado e a exaltação do indivíduo que compra os produtos mais caros, representando uma construção de valores sociais de uma nação - como a formação da cultura de ostentação brasileira.

Outrossim, a questão ambiental é ainda mais preocupante com a influência da Industria Cultural. De acordo com o relatório Planeta Vivo de 2008, a população mundial já consome 30% a mais do que o planeta consegue repor. Consoante a esses dados, a maneira que se vive atualmente é inviável para a perpetuação da natureza, o que permite concluir que atitudes devem ser tomadas para mudar essa configuração de vida que é imposta à sociedade pelo livre mercado global.

Diante disso, infere-se que a lógica capitalista, sem restrições, acaba por construir valores culturais maléficos ao meio natural. Portanto, cabe ao Estado, paralelamente ao Ministério das Comunicações, regulamentar a propagação ideológica dos conglomerados empresariais, por meio da imposição de uma sobretaxa sobre conteúdos considerados antiéticos para a sociedade. Ademais, pode-se reduzir os impostos cobrados sobre produtos sustentáveis, afim de incentivar a sustentabilidade industrial. Com essas medidas, a alienação da sociedade irá diminuir, o que construirá novos valores ao cidadão brasileiro.