O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 26/09/2023
De acordo com a Constituição Federal, todos os indivíduos têm direito ao mesmo tratamento, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, a aplicação dessa nor-ma não condiz com a realidade, já que uma significativa parcela da população en-frenta discriminação social apoiada pela cultura do consumo. Para combater essa problemática, é imperativo debater suas causas fundamentais: a opressão econô-mica e a carência social.
Nesse contexto, percebe-se que a cultura da ostentação é um fator primordial pa-ra a manutenção desse problema. Nesse sentido, é válido relembrar o conceito do sociólogo brasileiro Betinho, que afirma que o desenvolvimento humano só se efe-tivará quando a sociedade civil afirmar valores cruciais: igualdade, diversidade e participação. No entanto, no Brasil, apesar de os bens de consumo serem essen-ciais para proporcionar conforto ao indivíduo, persiste para as minorias a privação de acesso a alguns bens, devido aos altos valores desses produtos. Isso potencia-liza um cenário de superioridade das classes por meio dos bens materiais. Assim, é contraditório um país que aspira a alcançar um status de nação desenvolvida e ainda mantém vestígios de ostentação como forma de segregação social.
Além disso, a carência precisa ser superada. Segundo a FGV Social, quase 28 mi-lhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no território nacional. Essa questão decorre da ineficácia dos direitos constitucionais, que não garantem pro-dutos básicos e tampouco acesso a itens de luxo. Consequentemente, surge uma sensação de inferioridade e distanciamento de classe. Portanto, não é justo que o consumo além do básico seja privilégio de poucos.
Assim, medidas contundentes devem ser tomadas. Nesse sentido, é responsabili-dade do governo destinar uma parte significativa do PIB para áreas que combatam a desigualdade social. Essa ação deve englobar a conscientização dos indivíduos so-bre seus privilégios e o subsídio financeiro para a população que vive abaixo da li-nha da pobreza. Dessa forma, será possível mitigar a forte distinção social ocasio-nada pelas grandes discrepâncias de acesso aos itens de consumo. Desse modo, poder-se-á efetivamente fazer valer, na prática, a Constituição.