O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 26/09/2023

A música “1406”, da banda Mamonas Assassinas, retrata em sua letra a vida de uma família que compra diversos itens caros, mesmo não tendo condições para pagar por eles, com o intuito de mostrar a sociedade que estão em uma classe social alta. Assim como na música, o consumismo e a cultura de ostentação estão presentes na realidade brasileira, principalmente no desejo de mostrar aos outros seu valor social, que é alimentado pelo uso excessivo de redes sociais.

Diante disso, o desejo de mostrar que tem um alto valor social é uma das formas de como as problemáticas se expressam no país. De acordo com o sociólogo João de Oliveira, até o final do século 18 o valor social de cada indivíduo era medido pelo seu título de nobreza ou a falta dele, mas após a Revolução Francesa ele passou a ser medido pelo poder de compra e bens acumulados. Em vista disso, entende-se porque os brasileiros compram e ostentam coisas que não podem pagar, com o objetivo de parecer estar em uma classe social mais alta que a que realmente estão.

Ademais, esse desejo é aumentado pelo uso excessivo das redes sociais. Segundo o jornal O Globo, 92% dos usuários de mídias sociais no Brasil preferem seguir influenciadores de camadas sociais mais altas que as suas e isso faz com que almejem cada vez mais estar na mesma camada que esses criadores de conteúdo. Dado o exposto, pode-se compreender como o interesse é aumentado, ao ver como é a vida dos influenciadores a vontade de estar em um nível social maior cresce, e, consequentemente, o consumismo, por comprarem exageradamente itens que não podem pagar para parecer estar nele.

Desse modo, a ideia de que o valor social de um cidadão é determinado por quanto dinheiro ele tem é extremamente prejudicial. Por isso, cabe ao governo federal, junto ao Ministério da Educação, fazer com que as crianças não cresçam pensando dessa maneira, por meio da obrigatoriedade da matéria de psicologia básica, que além de outros assuntos ligados a diferentes aspectos da vida, explicaria que o valor das pessoas não é medido pela quantidade de dinheiro que elas têm, o que diminuiria gradualmente a cultura de ostentação e o consumismo no país.