O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 05/10/2023
Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade em “O Auto da Barca do Inferno”. É possível visualizar a perspectiva vicentina nos tempos atuais, em que o consumismo e a ostentação estão diretamente interligados para criar uma falsa sensação de vida perfeita. Dessa forma, a problemática persiste devide não só à busca por prazeres instatâneos, mas também à influência da mentalidade social.
Nesse contexto, em primeiro plano, pode-se apontar como fator determinante a priorização da felicidade momentânea. De acordo com o Hedonismo, o prazer é o sentido da vida. No entanto, a lógica hedonista é deturpada quando busca-se satisfação pessoal através do consumo exarcebado - que gera prazer por hora - e que traz inúmeros problemas, tanto pessoais quanto coletivos; segundo mapa da inadimplência, mais de 70 milhões de brasileiros estão endividados, além de toneladas de lixo que são gerados e descartados diariamente no meio ambiente. Assim, a falta de um pensamento crítico que foque no longo prazo e meça as consequências dos atos dificulta a solução do problema.
Em paralelo, o pensamento coletivo é outro fator influenciador. Para Freud, os indivíduos tendem a se adequar à sociedade para sentir pertencimento. Tal necessidade de fazer parte é preocupante visto que é comum, hoje em dia, “influencers” usarem seu grande alcance nas redes sociais para fazer “publis”, parcerias ou até criar a própria marca; dessa forma, cria-se o “efeito manada” em que uma pessoa dita o que as demais deverão ser, agir ou fazer e que gera danos a sáude - como distorção de imagem- , comportamentos compulsivos e perda da individualidade. Logo, é imperioso que a população perceba esse comportamento para que ele possa ser alterado.
Portanto, atuar estrategicamente faz-se necessário. Para isso, a mídia de massa deve criar um programa, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, a fim de atualizar a mentalidade social sobre o consumismo e pensamento crítico. Tal ação pode, ainda, ser divulgada por grandes perfis nas redes sociais para atingir mais pessoas. Desse modo, a sociedade retratada por Gil Vicente poderá permanecer na ficção.