O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 15/10/2023
“Uma das características da cultura é tornar normal o que não é.” Essa afirmação, atribuída ao historiador Leandro Karnal, pode facilmente ser relacionada ao consu-mismo e a cultura de ostentação no Brasil, já que é justamente a normalidade com que a sociedade enxerga esse cenário que o enraíza como problemática no país. Desse modo, agravam o quadro central a manipulação midiática e a pressão social.
Nesse contexto, é evidente que o consumismo e a cultura de ostentação que têm se propagado estão, em grande parte, ligados à manipulação midiática. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a publicidade direcionada aos consumidores tem um impacto significativo nas escolhas de consumo, levando os indivíduos a adquirir produtos que não são essenciais para sua qualidade de vida. Dessa forma, essa manipulação desempenha um papel crucial na promoção do consumismo e da ostentação, ao impactar diretamente o comportamento dos brasileiros e contribuir para um ciclo de consumo desenfreado na sociedade.
Além disso, esse panorama também está intrinsecamente ligado à pressão social exercida sobre os indivíduos, como salientou Guy Debord em sua obra “A Socieda-de do Espetáculo”. De acordo com Debord, vivemos em uma sociedade onde as re-lações sociais são mediadas por imagens e aparências, o que leva as pessoas a de-finirem seu valor com base no que possuem e mostram, em vez de quem são. Di-ante disso, a ostentação de bens materiais torna-se uma forma de validação social, onde a busca por status e reconhecimento se sobrepõe aos valores intrínsecos. Por isso, reconhecer essa influência é fundamental para promover uma reflexão crítica em relação à busca pela satisfação pessoal, distorcida no contexto atual.
Portanto, diante da situação exposta, o governo federal, através do Ministério da Educação, deve lançar o programa “Vida Moderada”, que, por meio de decretos de leis ampliará o combate ao consumismo e a ostentação. Isso incluirá a regulamen-tação de práticas publicitárias excessivas, a implementação de políticas que pro-movam o acesso a serviços de saúde mental, além de palestras nas escolas, a fim de criar uma sociedade crítica, ao fortalecer a autoestima e a autoaceitação. Assim, será possível criar uma malha social mais equilibrada e sustentável, beneficiando o bem-estar individual, mas também o meio ambiente e o planeta.