O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 14/10/2023
A música “Do the evolution” da banda “Pearl Jam” mostra como o ser humano caminha para a ostentação e o consumismo, evidenciado no verso: “Admire-me, admire minha casa, admire meu filho, ele é meu clone”. Analogamente, nota-se a mesma tendência na sociedade brasileira: a busca de aprovação por meio de produtos e bens materiais. É possível relacionar essa problemática trazida pelo capitalismo a malefícios individuais na saúde mental dos consumidores e ambientais na sobrecarga de lixo.
Nesse cenário, é possível perceber como várias foram as medidas socioeconômicas introduzidas pelo capitalismo, como propagandas vendendo não somente objetos ou serviços, mas felicidade e diversão. Da mesma forma, é habitual estes anúncios serem acompanhados de palavras no imperativo: “use, compre, beba, faça”. Nesse sentido, consumidores compram aquilo que não precisam, sobrecarregam o sistema produtor com bens e atividades inúteis, frusta o comprador, diante da expectativa de felicidade vendida e prejudica o meio ambiente, com lixo desnecessário.
Ainda, corrobora para esta narrativa a falácia de que poder de compra é sinônimo de hierarquia social. Segundo Max Weber, as teorias puramente materialistas são insuficientes para compreender as complexidades das relações sociais entre classes. Dimensões como a desigualdade social dependem não só da condição material do indivíduo. De acordo com Weber, é necessário observar o status social, o prestígio e, principalmente, o nível de educação.
Portanto, é dever do Estado, como regulador do mercado, aplicar barreiras legais, através do Poder Legislativo, e desincentivos econômicos, pelo Poder Executivo, a produtos que dependam demasiadamente da promessa de felicidade e realização, para que, somente assim, possa haver melhora ambiental e desenvolvimento econômico em áreas que efetivamente irão melhorar o bem-estar social brasileiro.