O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 16/10/2023
O consumo faz parte da vida humana. Karl Marx, filósofo do século XIX, propôs que toda a forma de sociedade existe para produzir o que para ela é necessária para a sua subsistência. Entretanto, com a Revolução Industrial e o desenvolvimento do Capitalismo, o mesmo filósofo notou que as pessoas estavam consumindo para reafirmar a sua classe e não para a sobrevivência. Deste modo, acabou por se descobrir o conceito de “fetiche da mercadoria”. O mesmo fenômeno se repete no Brasil atual, em que jovens são seduzidos pelo mercado e se endividam para obter produtos que somente tem um “valor social alto”.
Da mesma forma que Marx criticava este acontecimento, o filme Clube da Luta o aborda com o mesmo tom. No obra cinematográfica, o personagem principal, Tyler Duran, tem uma crise psicótica que foi provocada por longas horas de trabalho a mais do que o combinado em contrato para pagar por coisas que ele considerava “pequenos luxos”. A doença acaba por afetar a vida de Duran e de todos ao seu redor de maneira trágica.
Assim como Duran, a maioria dos jovens brasileiros, infelizmente, se endividam por conta da sedução do consumo. Segundo dados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), mais da metade das pessoas entre 18 e 30 anos está com o nome sujo. Além disso, quando perguntados pelo órgão o motivo da dívida era comumente relatada a resposta de “roupas de marca” e “bebidas caras”. Esses artigos não são de necessidade primária, eles são comprados para reafirmar uma suposta posição social de superioridade econômica.
Em suma, os brasileiros estão sendo bombardeados com campanhas publicitárias intrusivas e que tem consequências sociais, como: o endividamento da população e a indentidade pelo consumo. Por isso, é necessário que o Governo Federal intensifique, através do Conar (entidade responsável pela regulamentação publicitária), a limitação de propagandas que visam estimular a criação de nichos mercadológicos nos quais só é acessado pelo consumo excessivo. Com essa medida, teremos, em pouco tempo, uma sociedade na qual o ser humano será aquilo que se verdadeiramente é, e não aquilo que se consome.