O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 18/10/2023
No filme Click, de 2006, Michael Newman acha um controle mágico que o permite controlar todos os aspectos de sua vida. Com ele, Newman pôde chegar a um patamar em que era respeitado por seu poderio econômico. Fora das telas do cinema, a sociedade brasileira se comporta similarmente ao gastar seu salário em coisas que possam representar seu poder econômico. No entanto, isso gera consequências como a inadimplência e o aumento do comportamento narcisista da população. Portanto, urge a discussão dessa problemática.
De fato, o capitalismo contribui para o crescimento da cultura do consumo desenfreado e da ostentação como forma de afirmar o sucesso na vida de um indivíduo. Para Adam Smith, filósofo iluminista, o consumo é o único objetivo de toda a produção; ou seja, o sistema vigente alimenta o desejo consumista da população. Tal fato se reflete nos dados apurados pelo Serasa, em agosto de 2023, em que mais de 35% dos cidadãos brasileiros estão endividados.
Apesar disso, a sociedade brasileira continua a esbanjar um comportamento narcisista de ostentação, que é cada vez mais visto em produções televisivas, filmes e músicas - como em canções do gênero funk e sertanejo universitário. Tal qual afirmou Theodor Adorno em seus estudos sobre Indústria Cultural, a cultura de um povo é constantemente utilizada como base de incentivo ao consumo e à produção de bens materiais. Então, se a cultura do Brasil é ostentar e consumir, as indústrias continuarão a produzir.
Destarte, são necessárias soluções para mitigar os problemas citados. Assim, com o objetivo de educar financeiramente a população e, consequentemente, diminuir o consumismo na sociedade, a escola - que tem o papel de formar cidadãos conscientes - deve ter em sua grade curricular a disciplina de educação financeira, desde o fundamental ao médio, para que os alunos possam discernir entre comprar o necessário e o desnecessário, e não acabar inadimplente no futuro. Além disso, a mídia, formadora de opiniões, por meio de propagandas educativas, deve mostrar as consequências de ostentar e como ela alimenta o individualismo da sociedade, para que a comunidade diminua a exibição do narcisismo ostentativo. Dessa maneira, o ser ultrapassará o ter no Brasil.