O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 30/10/2023
O filósofo francês Sartre defende que a liberdade de escolha é inerente ao ser humano, conferindo-lhe a responsabilidade sobre suas ações. No entanto, ao observarmos a questão do consumismo e a cultura da ostentação, constatamos a irresponsabilidade da sociedade brasileira. Isso se evidencia não só pela negligência do consumo consciente como também pela mentalidade social.
Diante desse cenário, é válido destacar a impulssividade em decisões de gasto. No Brasil, somente cerca de 25% da população faz ponderações em momentos de consumo, o chamado: “consumo consciente”. Dentre esse contingente, notabiliza-se indivíduos com maior poder aquisitivo e ensino superior, segundo pesquisa veiculada no site G1. Nessa lógica, a parcela mais pobre da população, a qual necessita em demasia da alocação eficiente de seus recursos, é justamente a que mais sofre com o consumismo, muitas vezes acarretando em dívidas na tentativa de sustentar um padrão de consumo incongruente com sua realidade financeira.
Além disso, ressalta-se, a ignorância sobre o tema como um grande perpetuador da problemática. George Berkeley, filósofo irlândes e autor da frase “ser é ser percebido”, propõe que para algo ser real, precisa ser notado. Sob esse viés, o consumo desmedido advém do desconhecimento da cultura da ostentação e os malefícios dessa prática. Essa lacuna, coloca as pessoas em uma posição onde seu comportamento é modulado, objetivando o lucro por parte das empresas e ao mesmo tempo, em relação ao indivíduo, a aceitação de seus semelhantes.
É evidente, portanto, a necessidade de mudanças estruturais para reverter a irresponsabilidade social associada ao consumismo e à cultura da ostentação. Nesse sentido, o Governo Federal deve promover o consumo responsável, por meio de iniciativas que visem educar a população sobre finanças, com palestras ministradas em escolas e em regiões periféricas. Ademais, canais midiáticos devem desenvolver campanhas, financiadas com verbas governamentais, que valorizem a sustentabilidade e combatam a ostentação como objeto de empoderamento. Espera-se, com isso, maiores índices de consumo consciente e uma população capacitada em distinguir entre desejo e necessidade. Talvez, assim, a sociedade descrita por Sartre se torne responável por um mundo melhor.