O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 15/04/2024

No período da Baixa Idade Média, o nascimento da burguesia - isto é, a ascensão da classe comerciante - é um marco histórico devido à revolução na relação do mercado de consumo e a sociedade, por conseguinte, o materialismo e a acumulação de bens passou a ser fundamental tanto para aqueles com exagerados interesses financeiros quanto para um desejo de ascensão na hierarquia social. Nesse sentido histórico, atualmente, tal conjuntura de consumismo se mantém enraizada na sociedade brasileira, e, como resultado disso, o valor do cidadão é baseado na cultura de ostentação, ou seja, o seu senso identitário é proporcional ao seu poder de compra.

Em primeiro lugar, é categórico denunciar as grandes corporações por estimular o consumismo e o anseio por luxo desenfreado da população, as quais se aproveitam de estratégias capitalistas antiéticas com o objetivo de enriquecer suas receitas. Sob essa ótica sócioeconômica, o revolucionário Karl Marx postula que a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização das coisas, dessa maneira, é clara a manipulação dessas instituições para distorcer o sentido natural do homem, uma vez que propagam de modo implícito um incentivo à supervalorização das coisas em detrimento a ética humana. Nesse contexto, hodiernamente no Brasil, é possível perceber o desespero do cidadão em “vencer na vida”, em outras palavras, ser capaz de destacar-se por poder desfrutar de uma ostentação materialista, por conseguinte, tal idealização se configura em um produto vendido pelos empresários de maior escala com falsas promessas de felicidade, de realização, e, sobretudo, de ascensão social. Em suma, tristemente, o propósito ético da sociedade é constantemente distorcido tanto por aqueles que apenas visam apenas lucrar, quanto por aqueles que compram tais promessas vazias.