O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 25/05/2024

Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmund Bauman retrata o conflito do “ser versus ter” e expõe que toda estrutura social do século XXI é volátil, fluida e dinâmica. É fato que a teoria do filósofo e sociólogo polonês se evidencia na modernidade, uma vez que o consumismo e da cultura da ostentação apresentam barreiras, as quais dificultam o bem-estar social. Esse cenário antagônico é fruto tanto do capitalismo selvagem, quanto da manipulação midiática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Nesse sentido, Karl Marx, na obra “O Capital”, afirma que o sistema capitalista cria rebanhos, os quais sempre submetem-se às lógicas do mercado. Assim, quando esse mercado coloca os bens acima do ser humano, cria-se práticas consumistas e, por conseguinte, a ostentação torna-se regra para alcançar a felicidade. Desse modo, tentando alcançar a plenitude por meio da compra, os costumes impostos por essa corrente acarretam no empobrecimento e endividamento dos indivíduos influenciados por ela.

Outrossim, a mídia é propulsora desse processo cruel, como enfatizou George Orwell: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.”. Com o surgimento das redes sociais e dos influenciadores digitais, a manipulação tomou proporções globais, por exemplo, quando um influenciador posta que determinado produto é “bom”, faz a massa aspirar, desesperadamente, não necessariamente pelo produto, mas pela vida que aquele influenciador demonstra ter - pela felicidade que aparenta possuir - e, quando obtém o produto e não consegue essa felicidade, o influenciador posta outro produto, perpetuando o ciclo de alienação e infelicidade. Logo, a mídia é mecanismo do capitalismo.

Dessarte, a fim de encerrar a opressão imposta pelo sistema econômico e de zelar pela concretização da Constituição de 1988, que assegura a saúde psicológica dos cidadãos, o Tribunal de Contas da União (TCU), deveria direcionar verbas, que, por meio do Ministério da Educação, seria revestido em programas escolares para a formação de uma geração economicamente consciente, diminuindo, assim, a longo e médio prazo, os impactos do consumismo. Assim, a sociedade finalmente tomaria forma fixa e a população superaria a hierarquia do ter sobre o ser.