O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 06/07/2024

Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defende a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar a temática, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que exibicionismo e a influência do comércio e da mídia ainda são fatores que potencializam essa característica social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente ideal.

Inicialmente, é notório que o exibicionismo está relacionado a um problema estrutural. Nesse sentido, onde as pessoas consomem mais do que o necessário apenas para se exibir. Tal conjutura, de acordo com Kant, é análoga à “Menoridade Intelectual”, na qual caracteriza a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos. Nesse raciocínio, ao observar o consumismo e a ostentação, percebe-se que o cidadão, incapaz de assumir uma postura crítica, torna-se refém da “Menoridade”.

Ademais, nota-se a influência do comércio e da mídia como um fator que dificulta a resolução do entrave, uma vez que para se sentir aceito a população passa a comprar o produto ou serviço oferecido. Nesse contexto, conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria “Insituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “Zumbis” pelo fato de manterem-se vivos, mas sem eficácia de intervenção. É por essa razão que o consumismo excessivo ainda é evidente, visto que quanto mais lhe é mostrado mais querem adquirir.

Portanto, o governo, responsável por promover políticas e ações em prol do bem-estar social, deve desenvolver campanhas educativas sobre os riscos associados ao consumismo e a cultura de ostentação, por intermédio de diferentes canais de comunicação, como redes sociais, televisão, rádio e revistas, visando alcançar um amplo aspectro da sociedade para construir um ambiente mais saudável e inclusivo para a população. Dessa forma, a população será capaz de sair da “Menoridade Intelectual” e, felizmente, concretizar os ideias aristotélicos.