O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 14/07/2024

A música “Tiffany” de MD Chefe retrata o consumismo e a cultura de ostentação no Brasil ao associar o status social do indivíduo ao uso de marcas de luxo e estilo de vida glamuroso. Nesse sentido, a ideia de “compro, logo existo”, perpetuada na mente de milhões de brasileiros, reflete uma geração endividada em busca de validação social. Diante desse cenário, é importante analisar que a falta de educação financeira e a superficialidade das relações coletivas são alguns dos fatores associados a essa realidade.

Em um primeiro momento, a falta de educação financeira é um dos agravantes para o consumismo desenfreado e a cultura de ostentação no Brasil. É apropriado justificar que a carência de um planejamento de gastos e de inteligência fiscal faz com que o indivíduo compre aquilo que não necessita, endividando-se. Tal questão é atestada pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), na qual apurou que quase 78% da população brasileira segue endividada.

Em um segundo instante, uma das ploblemáticas atreladas ao consumismo e a cultura de ostentação no Brasil é a superficialidade das relações coletivas, visto que a ausência de conexões afetivas reais entre os indivíduos faz com que eles recorram a suprir tal vazio com itens materiais. De acordo com o intelectual Zygmunt Bauman, a liquidez das relações fez com que o individualismo se acentuasse e o homem começasse a se expressar e a se identificar a partir do que comprasse. Consequentemente, o consumismo e a cultura de ostentação no Brasil foram crescendo exponencialmente ao longo dos anos.

Portanto, a falta de educação financeira e a superficialidade das relações coletivas são alguns dos fatores associados ao consumismo e a cultura de ostentação no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de uma nova diretriz no PNE (Plano Nacional de Educação), adicionar a matéria de Educação Financeira nas instituições escolares. Além disso, os meios midiáticos, por meio de propagandas colaborativas entre entidades governamentais e ONG’s, devem incentivar o ideário de coletividade entre os cidadãos, ao propor atividades interativas em espaços públicos de convívio. Com isso, a fim de que o consumismo e a ostentação desenfreada possam ser encontrados apenas nas músicas.