O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 03/08/2024

Na obra “Gabriela”, novela adaptada do livro de Jorge Amado, o marido de Ga-briela tenta vesti-la com roupas e sapatos caros a fim de adaptá-la à sociedade. Na narrativa, Gabriela se nega a usa-las, já que é uma pessoa que não se interessa em ostentar. Fora da trama de “Gabriela”, é preocupante a cultura do consumismo e ostentação no Brasil. Isso só se dá, devido à mediocridade cultural da sociedade e à ausência estatal, as quais tornam o problema discutível.

Sob esse viés, é lamentável o quanto certa parcela da sociedade fingi ser o que não é. Essa dinâmica tem se potencializado por conta do exagerado poder das mí-dias atuando nos indivíduos. Hodiernamente, muitos buscam ser através do ter, ou seja, vivem “um mundo” falso e idealizado, movido pelo consumismo e a ostenta- ção. Segundo o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, por exemplo, as pessoas montam pérfis e se vendem como se fossem produtos. Por isso, é possível concluir que essa mediocridade cultural faz com que as pessoas se tornem alienados pelo consumismo, já que são influenciados pelas mídias a consumir para ser alguém.

Ademais, o poder estatal também tem contribuído com tal anomalia. Diante de tal fato, vale salientar que o mercador é quem regula a sociedade, visto que o sistema econômico vigente no Brasil é o neoliberalismo -economia de mercado-, o qual o Estado é restrito a intervir. Sendo assim, a busca pelo prazer do sucesso através do consumo e da ostentação fica cada vez mais fácil, à medida que o poder estatal, quem deveria regular a dinâmica do consumismo, está inerte. Nessa ocasião, há um mito, na história da filosofia, que o filósofo Dionísio vivia num estado de ataraxia, o qual valorizava o prazer intelectual e os moderados, e não nas coisas materiais de forma desenfreada que é visto atualmente.

Portanto, cabe ao poder legislativo - órgão responsável pela formulação de nor-mativas -, elaborar projeto de lei que vise a regulação do mercado e a instituição de discussões a respeito da influência do consumismo na sociedade. Enquanto a lei terá a finalidade de proibir mecanismos de alienação que visam a ostentação, os debates construirão uma mentalidade mais crítica. Isso será feito por meio de comissão parlamentar. Só assim, tal parcela não precisará ter para ser, segundo Bauman.