O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil

Enviada em 13/04/2025

Primeiramente, mediante a lógica capitalista do século XXI, o valor dos indivíduos tende a ser medido por sua capacidade de comprar. Nesse sentido, devido ao consumo se apresentar como forma de afirmação pessoal, muitas pessoas, inclusive em situação de vulnerabilidade econômica, assumem dívidas para adquirir produtos representantes de posição. Devido a isso, segundo dados do Serviço de Proteção de Crédito, em 2024, 28% dos jovens brasileiros contraíram dívidas em virtude de comprar impulsiva. Logo, tal situação contribui para a manutenção das desigualdades, evidenciando a urgência de um olhar crítico sobre os valores regentes do modelo atual de consumo.

Consequentemente, é imprescindível considerar como esse padrão de consumo reforça a exclusão social, à medida que as camadas mais baixas comprometem sua renda com gastos supérfluos, em busca de reconhecimento, sem interromper a precariedade estrutural na qual se encontram. Resultante disso, segundo a Serasa, em 2023, 78,5% das famílias brasileiras estavam endividadas. Isso acontece porque, ao contrário da elite social, essas pessoas de baixa renda se arriscam economicamente para ter acesso a itens que são, na prática, financeiramente inacessíveis. Desse modo, a tentativa de aproximação das classes sociais através do consumo resulta em uma divergência ainda maior daquela existente antes dos gastos.

Assim, visando interromper o ciclo de pobreza e diminuir a desigualdade social, o Ministério da Educação, na sua condição de promotor do desenvolvimento humano, deve implementar programas de educação financeira nas escolas de ensino médio e fundamental, por meio da inserção desses temas nos componentes curriculares de forma transversal e interdisciplinar. Dessa forma, os jovens estarão preparados para fazer escolhas responsáveis e enfrentar de forma crítica a cultura da ostentação