O consumismo e a cultura de ostentação no Brasil
Enviada em 12/05/2025
O livro vida para consumo, do escritor Zygmunt Bauman, critica uma sociedade que ao ser movida pelo consumismo, se transforma em mercadoria. Na obra, os cidadãos são forçados à promover uma mercadoria atraente e desejável, neste caso, eles próprios são as mercadorias. Paralelo a isso, na realidade atual, percebe-se que a sociedade brasileira também se tornou objeto de consumo, já que são recorrentes os casos de consumismo e de propagação da cultura de ostentação, principamente devido à superexposição e ao silenciamento da questão.
Em primeiro plano, é vital observar que a internet é, como qualquer outro ambiente social, um espaço livre para a manifestação de pensamentos. Nesse sentido, observa-se que boa parte dos internautas se tornam imprudentes, agindo de maneira irresponsável ao influenciar o consumismo, criando uma busca por aceitação social, que demonstra pertecimento a um grupo ou tendência. Conforme afirma o sociólogo Émile Durkheim, uma sociedade desajustada sofre com a anomia, ou seja, o indivíduo toma atitudes, sem distinção entre o certo e errado. Assim sendo, no mundo cibernético, esse fenômeno também se faz presente.
Outrossim, destaca-se o silenciamento da problemática como fator crucial ao aumento da cultura de ostentação e do gasto desenfreado. Ao não exibirem em jornais que parte dos problemas sociais são resultados de compras desnecessárias, que ocasiona desigualdade social e à exploração do trabalho, para pagamento de dívidas feitas por luxo, isso resulta numa sociedade que consome sem consciência das consequências. Consoante ao que teoriza Djamila Ribeiro, ela defende que é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Tendo isso em vista, o consumidor também sofre invisibilidade, a partir do momento em que ostentar é mais importante do que viver.
Dessarte, faz-se necessária, portanto, a adoção de atitudes que permitem ao internauta sentir-se cosciente ao comprar um produto, não para sentir pompa. A fim de diminuir o consumismo e a cultura de ostentação, o Governo Federal deve, por intermédio do Ministério da Educação, promover atividades relacionadas à educação financeira e tecnológica, implementando cursos e paletras, alertando o povo sobre os riscos do consumismo e explicando estratégias de anticonsumistas.