O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/07/2020

Segundo o sociólogo francês Durkheim, fatos sociais são um conjunto de normas coercitivas e exteriores aos indivíduos, servindo como uma forma de controle da população. Nesse viés, o consumo de alimentos é um fato social, já que é controlado pela economia, cultura e religião e não pelo próprio indivíduo. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o consumo de carne quintuplicou nos últimos 50 anos, o que não se explica apenas com base no crescimento demográfico. Tendo em vista os impactos causados pela produção da carne e o consumo maior do que o recomendado, é necessário discutir os hábitos alimentares e propor uma introdução de novos alimentos.

Com a renda per capita em países como o Quênia subindo, o consumo de carne também aumentou: em 1960, o consumo de carne por indíviduo era de 5kg ao ano, já em 2017 o consumo era de 60kg. Nessa perspectiva, muitos outros países, como EUA e Brasil seguiram a mesma tendência, de forma que o consumo per capita nos EUA chegasse a 98,6kg ao ano em 2018, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não obstante, mesmo com avanço econômico, países com maioria budista ou hinduísta, como a Índia, continuam com baixo consumo, em média 4kg ano ano por pessoa, também de acordo com a OCDE. A diferença da média de  consumo  é em decorrência do fato social: os costumes, cultura, economia e  religião moldam os hábitos dos indivíduos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo de carne diário deve ser em torno de 60g, o que resulta em 22kg ao ano. Mesmo com uma possível diminuição no consumo, a agropecuária é responsável por problemas ambientais:  para a produção de 1kg de carne bovina, são nescessários 165m² de pasto, além de 15,5 mil litros de água. Essa grande demanda por água e espaço é responsável por 60% do desmatamento da Amazônia, já que é necessário desmatar para conseguir maiores porções de terra. O documentário “What The Health”, produzido em 2017 pela Netflix, mostrou de que forma essa demanda beneficia grandes produtores que lucram com essa produção sem se preocupar com a saúde dos consumidores e com os impactos gerados.

Dessarte, tendo em vista que a alimentação é um fato social regrado pelos costumes, cultura e religião, há necessidade da substituição e diminuição desse consumo. É dever da OMS promover campanhas  através de mídias sociais para alertar sobre os impactos causados pela agropecuária intensiva e abordar a substítuição da carne animal por proteínas de origem vegetal. Somente dessa forma a alimentação terá um caráter indivídual e moldado a partir da responsabilidade dos cidadãos com o meio ambiente e com a própria saúde.