O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 14/07/2020
A cultura carnívora no cotidiano brasileiro torna esse mesmo um dos maiores consumidores do mundo. Com o advento da cultura de massas, a produção de carne se tornou, também, um método lucrativo do capitalismo, sendo responsável, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pela criação de mais de 200 milhões de cabeças bovinas. Consoante, segundo Paul Watson, a inteligência é a capacidade de coexistência em harmonia entre as espécies. Contudo, a frente agropecuária brasileira desmata e avança - em prol do consumo exagerado incentivado pelas grandes indústrias - sobre as florestas amazônicas, destruindo os ecossistemas. Dessa forma, é perceptível a indústria alimentícia como principal influenciador do consumo exagerado de carnes e o impacto desse mesme formação cultural brasileira, desarmonizando as espécies e ecossistemas.
Primeiramente, é notável o avanço ilegal da indústria pecuária sobre as florestas visando o capital. Isso, uma vez que, de acordo com dados do Mapbiomas, 99% dos desmatamentos em 2019 foram ilegais, evidenciando, assim, a ignorância da produção moderna diante das Leis Ambientais. Tais ações provocam impactos irreversíveis, tendo em vista que, em 2002, o aumento do preço de exportação da soja gerou o avanço às áreas do cerrado, destruindo a maior parte desse mesmo em prol do plantio, burlando as Leis que protegiam o local utilizando a pecuária como ferramenta para o desmatamento.
Paralelamente, é notório o rompimento do dilema bioético de respeito à vida, visto que a situação relatada nos viveiros, criadouros e matadouros é, muitas vezes, desrespeitosa ao conceito por meio de mutilações animais, maus tratos e ambientes lotados. Desse modo, os hábitos alimentares exagerados promovidos pela mídia em prol do consumismo, juntamente com o aumento populacional, geram uma demanda de produção crescente que coloca em detrimento o desenvolvimento sustentável e manipulam a opinião pública para ignorar o assunto.
Portanto, é visível a influência do capitalismo e seu consumo como catalisador para o crescimento da demanda e, por conseguinte, para o avanço agropecuário gerando a desordem dos ecossistemas, e desrespeitando as Leis Ambientais. Destarte, é essencial que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - como órgão responsável pela gestão dos fundos direcionados ao desenvolvimento agropecuário, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social - responsável pelas políticas públicas de impacto popular, realize o controle da distribuição, produção e métodos de abate dos criadouros. Tais ações devem ser concretizadas por meio de projetos legislativos efetivos para manutenção das Leis Ambientais e informações conscientizadoras, para que haja cumprimento da lei e informação do povo, a fim de que as espécies convivam em harmonia, como dito por Paul Watson.