O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 15/07/2020
Desde o início do século XVI, marcado pela colonização portuguesa no Brasil, cultiva-se a ideia de infinidade dos recursos naturais. De maneira análoga ao período hodierno, tal pensamento é explícito por constantes práticas de degradação do espaço físico, de modo a agravar os problemas socioambientais existentes. Com efeito, denota-se a importância de discutir os hábitos alimentares na sociedade atual, bem como analisar a problemática do consumo de carne no viés social.
A princípio, é válido ressaltar que a globalização - integração máxima do capitalismo- fomentou a padronização de costumes, incluindo hábitos alimentares. Nessa ótica, percebe-se a manipulação de metodologias comportamentais dos indivíduos a serviço de uma lógica econômica, em que o lucro se sobressai em detrimento do bem-estar social e ambiental. Tal fenômeno pode ser retificado à luz do sociólogo Karl Marx, que afirma que em uma sociedade burguesa os indivíduos tendem a adotar ideologias aparelhadas pela classe dominante, de maneira a atender os interesses dessa. Logo, é substancial que haja mudanças graduais nos padrões de alimentação social,para reverter esse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar que o consumo de carne complexificou a esfera de desastres ambientais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a principal atividade econômica responsável pelo desmatamento na Amazônia é a pecuária, devido à excessiva demanda social pelo consumo de carne. Paralelamente, a máxima do filósofo inglês Bertrand Russell aplica-se a esse cenário: “A mudança é indubitável, porém o progresso é uma questão controversa”. Dessa forma, ações governamentais fazem-se imprescindíveis para amenizar essa conjuntura, marcada por excessos e falhas de políticas públicas efetivas.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de medidas para mitigar esse panorama. Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas públicas, implementar uma disciplina específica voltada para a educação alimentícia nas escolas, a partir de aulas e palestras voltadas para consumo e sustentabilidade, ministradas por profissionais da saúde e do meio ambiente, a fim de tornar possível uma reeducação alimentar e uma efetiva mudança de hábitos de consumo. Ademais, cabe ao Ministério do Meio Ambiente realizar parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs) para projetos de fiscalização, a partir do auxílio das ONGs no que tange à coleta de dados ambientais sobre áreas de preservação, com o fito de fomentar uma atuação mais eficaz do Poder Público nesse âmbito. Assim, a sociedade e o Estado serão mais promissores em amenizar o consumo de carne, bem como dos padrões de alimentação atuais.