O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 15/07/2020

A lei das Terras criada, em 1848, viabilizou a concentração das áreas cultiváveis para os indivíduos mais abastados. Nessa lógica, tal contexto foi responsável pela ampliação das fazendas destinadas à pecuária, as quais, na contemporaneidade, há uma produção, cada vez maior, sob a ótica do lucro. Desse modo, urge analisar o consumo de carne como questão social e, assim, a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade. Dessarte, percebe-se a prevalência de problemas ambientais, além da não consonância ante a Constituição de 1988 e a realidade exposta.

A princípio, a Revolução Verde, ocorrida no século passado, modernizou processos produtivos no campo, como visualiza-se na agropecuária. Tanto que intensificou as áreas destinadas a tal prática comercial e, consequentemente, permitiu não só o aumento da produtividade, mas também o agravamento de questões sociais. Prova disso é que os gases expelidos pelos animais- relacionados à produção de carne vermelha, como o gado de corte- são responsáveis pelo aumento, por exemplo, do aquecimento global, como alertam os dados divulgados pelo IBAMA, em 2019. Dessa maneira, nota-se que o consumo excessivo de carne contribui, sobretudo, por tonificar problemas ambientais.

Outrossim, a Constituição Cidadã explicita que é dever do Estado estabelecer a conservação da biodiversidade, no entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Nessa lógica, esse paradoxo expressa-se, seja pelo consumo excessivo de carne e seus impactos na sociedade, como já supracitado, no tocante à pecuária, seja pela inoperância dos políticos no desenvolvimento de medidas para dirimir tal cenário. Ao passo que o paralelo entre a Carta Magna e a realidade ecoa o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual declara que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva, por sua vez, em suas razões éticas. À vista disso, observa-se uma dissonância ante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual que precisa ser solucionada.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize políticas públicas por meio de verbas governamentais, com o intuito de mitigar as questões  relacionadas aos hábitos alimentares. Posto isso, é imprescindível criar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, mediante depoimentos de ambientalistas, que relatem os problemas ambientais decorridos da liberação de gases pelos animais de corte, a fim de que haja uma diminuição na contribuição do aquecimento global. Ademais, é importante que tal esfera do poder, associado ao Ministério da Agricultura, elaborem palestras, com a utilização de dados estatísticos, sobre os malefícios do consumo abusivo de carne, a fim de que haja concordância entre a Constituição e os fatos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas elencados a discussão dessa questão no tecido social pós-moderno.