O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 16/07/2020

O filósofo grego Aristóteles argumenta que a felicidade- eudaimonia- é alcançada pela união  equilíbrio da razão e da satisfação de prazeres. No entanto, ao analisar uma sociedade que devido o elevado consumo de carne promove desequilíbrios ambientais e inúmeros problemas sociais, nota-se um corpo social distante de tal visão. Desse modo, faz necessário explorar as causas dessa ação, as quais perpassam pela negligência das leis vigentes, mas também pela omissão das escolas.

Em primeiro lugar, é inegável observar que o descaso do Poder Público em relação as suas leis favorece a manutenção do comportamento social diante do consumo de carne. Isso é respaldo, por exemplo, que apesar de a Constituição Federal afirmar que quando houver conflitos entre os interesses ambientais e econômicos, o primeiro deve ser prevalecido, nota-se o desacordo com a realidade. Como se observa, que o Brasil foi considerado, em 2019, o maior exportador de carne bovina no mundo, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Carne, a custo de um elevado desmatamento de florestas a fim de reduzi-las em pastos e de um aumento de gases poluentes decorrente da bovinocultura. Diante disso, nota-se o prejuízo de um Estado que negligencia os seus regulamentos.

Ademais, conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação proporciona meios para mudar o indivíduo e esse, assim, torna-se apto para transformar a sociedade. Sob tal prisma, ao analisar a postura irresponsável do corpo social em relação ao elevado consumo de carne, percebe-se, desse modo, escolas que não exercem a sua função social de fomentar cidadãos com análise crítica de suas atitudes. Isso é reflexo de um ensino tecnicista que preconiza a formação de estudantes competentes para o mercado de trabalho, mas ausentes de valores que promovem a conscientização. Dessarte, essa postura das instituições escolar permite que tais problemas aflorem no tecido social.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão efetivar as suas leis a fim de atenuar o consumo de carne e seus impactos. Nesse sentido, mediante repasses de verbas governamentais ao Ibama- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis- possibilite a maior atuação dessa instituição, como o aumento de funcionários para  intensificar as fiscalizações, com o propósito de impedir, por exemplo, que florestas sejam transformadas em pastos. Outrossim, que a instituição escolar promova aulas destinadas à reflexão do comportamento do homem, as quais serão discursadas por sociólogos, que recorrente a pesquisas científicas e livros que apontem sobre a importância do ser humano possuir analise crítica de suas ações, viabilize a conscientização do indivíduo em relação a necessidade de ingerir carnes de forma responsável. Assim, garantir-se-á no tecido social a felicidade exposta por Aristóteles.