O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 15/07/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante a todos o direito a um meio ambiente equilibrado e ao bem-estar social. No entanto, o consumo excessivo de carne e o nocivo crescimento da sua produção intensificam os danos ambientais, impedindo que a população desfrute desses direitos previstos na Carta Magna. Logo, convém analisar as principais causas, consequências e possível medida visando ao enfrentamento dessa questão.

Deve-se pontuar, de início, que a expansão das áreas destinadas à produção de carne no país, nas últimas décadas, deriva da escassa atuação dos órgãos governamentais na fiscalização sobre a implantação de novos pastos. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à inércia estatal, a atividade de pecuária extensiva tem avançado indiscriminadamente sobre biomas como o Cerrado e a Amazônia, onde o desmatamento e o pisoteio do solo levam à extinção da fauna e à desertificação de extensas áreas.

Ademais, faz-se mister ressaltar a falta de conscientização do consumidor e a preservação de hábitos nutricionais arcaicos, como promotores do problema. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, “O indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais suas origens e as condições de que depende.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que a fraca atuação das instituições de ensino e da mídia, quanto à orientação acerca dos danos ambientais causados pelo consumo excessivo de carne, contribui para a perpetuação desse quadro deletério. Assim, a alta demanda de mercado leva ao preocupante crescimento das áreas de pastos e à potencialização do estresse hídrico mundial, tendo em vista o grande peso dessa atividade no consumo de água potável.

Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, necessita-se que os órgãos de mídia e imprensa promovam campanhas de conscientização, por meio de ficção engajada e ações publicitárias nas redes sociais, com vistas à orientação sobre os impactos socioambientais decorrentes do consumo de carne, bem como, à proposição de novos hábitos alimentares. Espera-se, com isso, inibir a expansão das áreas de pastos e preservar a rica biodiversidade nacional.