O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 15/10/2020

O consumo de produtos de origem animal foi fundamental na evolução do ser humano, pois contribuiu para o crescimento acelerado da massa cerebral, em decorrência da sua grande quantidade de nutrientes. Porém, a ingestão de carne aumentou em demasia nas últimas décadas, o que gera impactos sociais, econômicos e ambientais à sociedade, por isso é importante que haja uma discussão sobre hábitos alimentares alternativos.

A priori, na contemporaneidade, a produção de carne é quase cinco vezes maior do que era no início dos anos 1960, em virtude do crescimento da população global, sobretudo da classe média em países como Brasil e China. Essa situação ocasiona o uso imoderado de hormônios nos rebanhos e o aumento da desflorestação para a criação de pastos, no Brasil a pecuária é responsável no mínimo por 60% do desmatamento da floresta amazônica e expressiva parte das emissões dos gases de efeito estufa. Além do mais, no país a agricultura animal está associada à perda de direitos dos trabalhadores e povos indígenas que são pressionados pela expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste, de acordo com o Greenpeace Brasil.

Consoante a Organização das Nações Unidas, em 2050, o planeta terá nove bilhões de habitantes, se a produção de carne crescer conforme a demanda, baseado nos padrões de consumo atual, o resultado será a destruição total da boscagem, da água e do solo. Ademais, segundo o livro Pandemias, saúde global e  escolhas pessoais, a maioria dos surtos de doenças nos últimos anos, como H1N1 e Covid-19, teve alguma relação com a criação e a ingestão de proteína animal, cenário que pode se agravar já que a probabilidade de que estes eventos afetem a população cresce com o aumento do consumo. Dessa forma, é evidente a necessidade de repensar os hábitos de consumo, o que já ocorre, por isso o aumento na criação de aves, visto que o preço é menor.

É evidente, portanto, que o Governo deve promover, por meio do Ministério da Educação, a inclusão de programas nas escolas que visem debater  as consequências para a comunidade da agricultura animal. Outrossim, o Estado necessita promover campanhas publicitárias, transmitidas em horário nobre e repetidamente, que incentivem a aquisição de outros tipos de proteínas, logo educar os jovens sobre o consumo de leguminosas que são inclusive mais acessíveis e baratas que a carne. Também, a população precisa limitar a ingestão de carne vermelha e processada, mediante escolhas mais conscientes, dessarte minimizar o problemas ambientais e de saúde coletiva.