O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 15/07/2020

O documentário “Explicando: o futuro da carne”, produzido pela empresa americana Netflix, ressalta como o aumento do consumo de carne tornou-se insustentável para o ecossistema. Dessa forma, nota-se a importância de discutir os hábitos alimentares na sociedade atual e reduzir o consumo de carne, visto que a produção no Brasil contribui para o desmatamento de biomas naturais e para a crueldade animal, o que torna o consumo crescente uma quentão social.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a produção de carne no Brasil é responsável por grande parte do desmatamento de biomas como a Amazônia e o Cerrado, sendo uma importante quentão ambiental e social a ser discutida. Dessa maneira, segundo dados levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a pecuária é responsável por 80% do desmatamento na região amazônica. Além disso, a digestão dos ruminantes libera gás metano, um dos principais gases poluentes para o meio ambiente. Assim, a pecuária extensiva afeta negativamente o ecossistema brasileiro, por conta do desmatamento, queimadas e liberação de poluentes, o que ressalta a necessidade de discussão sobre o modo de produção e consumo de carne do país. A exemplo disso, o documentário supracitado exemplifica a importância de reduzir a quantidade de proteína animal na dieta brasileira, para diminuir o impacto ambiental e social.

Ademais, a pecuária extensiva também contribui para crueldade na criação de animais. Desse modo, no Egito Antigo, os animais admirados e vinculados a divindades, todavia, atualmente, a produção nacional de carne prioriza os lucros ao bem-estar animal. Assim sendo, conforme dito pelo sociólogo Karl Marx, o capitalismo prioriza o lucros aos valores, o que inclui a preservação da dignidade dos animais. Portanto, a pecuária voltada a exportação em massa de carne não respeita o tempo de crescimento natural dos mesmos, nem a dor sentida durante o processo de abate, e outros maus-tratos vinculados a produção. Sendo assim, o modo de produção visando o lucro implica nos maus tratos e na crueldade sofrida nos criadouros e abatedouros, o que leva a necessidade de incentivo à redução ou corte do consumo de carne.

Em suma, cabe ao Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Ministério da Educação promover campanhas para reduzir a carne na alimentação brasileira, por meio de palestras de conscientização sobre os efeitos do consumo nas escolas, parar assim informar, desde a primeira infância, sobre o impacto ambiental causado pela pecuária e reduzi-lo. Além disso, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento deve reformular o modo de produção da carne no país, a fim de reduzir a crueldade animal.