O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 15/07/2020
O documentário “Cowspiracy”, retrata a realidade do mercado pecuário e gera uma reflexão sobre o consumo excessivo, investigando o receio que organizações ambientalistas mundiais possuem ao abordarem o tema. Indubitavelmente, a indústria de carne continua a crescer em nível mundial, e tornou-se a principal responsável pela perca da biodiversidade do planeta, além de exercer grande influência no surgimento de doenças epidêmicas.
A princípio, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), afirmou em um relatório que a agropecuária é responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa e está diretamente interligada à poluição da água e a desflorestação. Ademais, parte dos biomas brasileiros, estão cada vez mais devastados em razão da constante expansão de pastagens para a criação de gado e do aumento da produção de soja e milho, para alimentação desses animais.
Outrossim, é importante salientar que só a melhoria dos processos produtivos de proteína animal não é suficiente, já que o consumo excessivo gera uma série de prejuízos à saúde humana. Segundo a ONU, a ingestão elevada de carne responde por 70% de novas doenças na população, incluindo o HIV-1 e a encefalopatia. Dessa forma, a substituição por outras alternativas proteicas no cotidiano tornou-se fundamental para a manutenção de uma boa qualidade de vida.
Logo, faz-se necessário o debate acerca de questões sociais que incluam os hábitos alimentares e a implantação de medidas estruturais por parte dos Estados. O Ministério do Meio Ambiente, deve participar de acordos ambientais entre países, que visem estratégias para amenizar o impacto das indústrias agropecuárias no ecossistema. Ainda, é imprescindível a participação da mídia na conscientização da população através de campanhas publicitárias, que induzam a uma alimentação consciente conciliada com a diminuição do desperdício de recursos, enfatizando a quebra de fatores culturais vigentes na sociedade.