O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 29/07/2020
O tipo de alimentação praticada é particular de cada povo e é considerado uma questão sociocultural. Dessa maneira, o consumo de carne tornou-se um objeto de ampla discussão, no que diz respeito à importância desse debate no ambiente escolar, tendo em vista uma carência acerca da Educação Alimentar na população brasileira. Logo, urge a necessidade de ampliar o alcance do esclarecimento sobre hábitos alimentares na sociedade atual.
Nesse contexto, evidencia-se a relação cultural intrínseca do homem aos seus hábitos alimentares, como visto pelas práticas de veganismo e vegetarianismo de várias religiões, como a Budista e a consagração da carne em aspecto divino. Por outro lado, a gestão alimentar brasileira é evidenciada no documentário nacional “Ilha das Flores”, o qual retrata o volumoso desperdício de alimentos e a consequente interferência negativa em toda a cadeia produtiva. Por conseguinte, a questão social da carne e afins necessita de um debate amplo, haja vista que tais hábitos alimentares dispendiosos são motivados por uma ignorância social acerca da Educação Alimentar e suas nuances culturais.
Além disso, em virtude da negligência da Máquina Pública acerca dos hábitos alimentares brasileiros, é possível observar o crescimento de doenças cardiovasculares e obesidade em razão da má gestão alimentar do espectro social, de acordo com estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em contrapartida, o sistema educacional finlandês atua de modo a explicitar o consumo da carne em uma perspectiva antropológica e a maneira como a alimentação cotidiana é influenciada por tal fator. Nesse ínterim, tal modelo de ensino ocorre mediante a integração do aluno a diversas culinárias e suas especificidades, bem como a elucidação sobre a Educação Alimentar no ensino. Por outro lado, visto o péssimo quadro educacional brasileiro, evidencia-se a negligência institucional em relação ao quadro alimentar do cidadão e suas complicações.
Portanto, o Ministério da Educação deverá instituir o ensino da Educação Alimentar, seguindo o modelo finlandês, na grade curricular do Ensino Básico brasileiro, mediante as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. Ademais, essa ação deverá ocorrer por intermédio de oficinas multidisciplinares de Sociologia, Biologia e Química ministradas por professores capacitados, as quais possam elucidar respectivamente: tanto questões histórico-culturais da alimentação quanto a gestão pública da alimentação; a relação corpo e hábitos alimentares e a formação bioquímica básica dos nutrientes. Por conseguinte, essa atuação governamental objetivará a elucidação da sociedade sobre a sua própria nutrição, a qual refletirá, consequentemente, em menor desperdício nas refeições e em maior domínio popular sobre a cultura alimentar da carne e suas questões sociais.