O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/08/2020
No Brasil, é inegável que o consumo de carne aumenta cada ano, porém este problema deve-se ao mau hábito alimentar, uma prática comum em muitas famílias que certamente é um problema a ser discutido e vencido. Tal fenômeno ocorro devido à cultura consumista no cenário capitalista, o que levou a população a adquirir comida de forme exagerada e, ao mesmo tempo, a falta de condição financeira da população de consumir regularmente alimentos mais orgânicos ou com maior valor nutritivo, o que leva, por exemplo, ao consumo exagerado da carne, a qual acaba se apresentando como uma alternativa mais viável.
A priori, tal hábito negativo, somado ao consumo exacerbado, é evidenciado no documentário brasileiro “A carne é fraca”, que narra as consequências sociais e ambientais da normalização da cultura consumista bem como desperdício de água, queimadas, lançamento de gás carbônico e metano na atmosfera e, ainda, falta de pensamento crítico ao consumir, o que fortalece a indústria da carne, que continua lucrando em cima de tais exageros. Decerto, ao normalizar tais comportamentos, legitimamos o consumo nocivo de carne tão presente no cotidiano brasileiro.
Ademais, a viabilização da indústria de carne em função da pouca condição da população de obter hábitos alimentares mais saudáveis, agrava o problema. A exemplo, o documentário “Muito além do peso”, produzido no Brasil, estabelece a relação existente entre o poder aquisitivo da população e seus hábitos alimentares, confirmando o que alega o Ministério da Saúde: 32% de nossa população apresenta algum nível de excesso de peso, concentrado na população mais pobre do país, sendo causado justamente pelo consumo escasso de alimentos saudáveis, estes que, no geral, possuem maior preço em comparação com a carne.
Portanto depreende-se que o cenário relatado nos documentários ainda são uma realidade no Brasil. Logo, faz-se necessária a discussão sobre os hábitos alimentares dos brasileiros. Dessa forma, caberá ao Ministério da Saúde, em conjunto com os meios midiáticos, promover campanhas publicitárias exibidas na televisão e redes socias, por meio de comerciais que demonstrem as vantagens no consumo de alimentos mais nutritivos e menos calóricos, com o intuito de alertar a população sobre os danos que uma má alimentação causa à saúde. Em adição, a Secretaria Nacional do Consumidor deve garantir que os preços desses alimentos não sejam inviáveis e abusivos para a população, por meio da criação de leis que reduzam o valor dos impostos sobre tais produtos. Somente assim, o Brasil poderá desenvolver a saúde e os bons hábitos alimentares de seu povo, para alcançar um futuro mais saudável.