O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 16/07/2020
O filósofo grego Aristóteles argumenta que a felicidade- eudainomia- é alcançado pela união equilibrada da razão e da satisfação de prazeres. No entanto, ao analisar uma sociedade que devido ao elevado consumo de carnes promove desequilíbrios ambientais e inúmeros problema sociais, nota-se um corpo social distante de tal visão. Desse modo, verifica-se a necessidade de explorar as causas dessa ação, as quais perpassam pela negligência das leis vigentes e pela omissão das escolas.
Em primeiro lugar, é inegável observar que o descaso do Poder Público em relação as suas leis favorece a manutenção do comportamento social diante do consumo de carne. Ao passo que apesar de a Constituição Federal afirmar que, quando houver conflitos entre os interesses ambientais e econômicos, o primeiro deve ser prevalecido, nota-se o desacordo com a realidade. Prova disso é que tal cenário demonstra não só florestas que são reduzidas a pastos, mas também o aumento de gases poluentes decorrente da bovinocultura e a negligência do bem-estar dos animais, na maioria, das granjas de galinha. Diante disso, nota-se os prejuízos de um Estado que é displicente com os seus regulamentos.
Ademais, conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação proporciona meios para mudar o indivíduo e esse, assim, torna-se apto para transformar a sociedade. Sob tal prisma, ao analisar a postura irresponsável do corpo social em relação ao elevado consumo de carne, detecta-se, dessa forma, escolas que não exercem a sua função social de fomentar cidadãos com análise crítica de suas atitudes. Isso é reflexo de um ensino tecnicista que preconiza a formação de estudantes competentes para o mercado de trabalho, mas ausentes de valores que induzem a conscientização. Dessarte, essa postura das escolas permite que tais problemas aflorem no tecido social.
Logo, é mister que o Estado mude está situação. Para tanto cabe a esse órgão efetivar as suas leis a fim de atenuar o consumo de carne e seus impactos. Nesse viés, faz necessário que, mediante a repasse de verbas públicas haja a ampliação da atuação do IBAMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis-, e, assim, intensificar as fiscalizações, com o propósito de coibir o desmatamento de florestas e o maus tratos aos animais. Outrossim, que a instituição escolar promova aulas destinadas à reflexão sobro o comportamento do homem, as quais serão discursadas por sociólogos, que diante de pesquisas e livros que apontem sobre a importância do ser humano possuir análise crítica de suas ações, viabilize a conscientização do indivíduo em relação a necessidade de ingerir carnes de forma responsável. À luz disso, garantir-se-á a felicidade exposta por Aristóteles.