O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 17/07/2020
Conforme a Constituição Federal de 1988,o zelo pela saúde pública é um dever do Estado.No entanto,tal suposta garantia não é efetivamente posta em prática, uma vez que a leviana discussão acerca da nutrição saudável corrobora para a existência de hábitos alimentares ineficientes.Vê-se que o atual intenso consumo de carne é oriundo de uma convicção coletiva de que uma alimentação eficiente deve conter porções de animais.Assim,favorecendo para a manutenção do excessivo consumo de tal alimento, que contribui para o desenvolvimento de doenças cardíacas e de colesterol alto,além de corroborar com uma produção que explora, devastadamente, os recursos naturais.
Inicialmente,é importante salientar que a convicção coletiva acerca da necessidade do consumo de alimentos de origem animal registra a indubitável urgência da ampliação do debate sobre alimentação saudável. Visto que, segundo Paulo Freire, o conhecimento é emancipador, ou seja, apenas através do diálogo e da desconstrução de preceitos acerca da alimentação, que o indivíduo compreenderá a dispensabilidade do consumo diário de animais, responsável por fomentar uma série de doenças cardíacas. Portanto, por ser uma questão de saúde pública, o Estado deve atuar como mediador da retificação de uma convicção historicamente presente na sociedade, uma vez que desde a colonização que animais, como as galinhas e o gado, são trazidos para território nacional a fim de saciar a necessidade de alimento.
Ademais, é importante salientar que o consumo diário de carne traz consequências não só para a saúde, mas também para o meio ambiente, uma vez que alimentos de origem animal são ricos em colesterol, que deixam o indivíduo propenso a desenvolver doenças cardíacas. Além do mais, segundo o Instituto Humanistas Unisinos,1 kg de carne bovina exige mais de 165 metros quadrados de pasto, que surgem a partir da devastação de territórios naturais. Nas palavras do sociólogo Zygmunt Bauman, na contemporaneidade, progresso é “se manter na corrida”, ou seja, a lucratividade financeiro do setor agropecuário é estimado em detrimento da saúde pública e do vigor do meio ambiente. Portanto, o hábito alimentar do consumo de carne deve ser reavaliado para o bem da saúde pública e da natureza.
Por fim, é válido ressaltar que o aumento do debate acerca dos hábitos alimentares na sociedade atual devem ser estimulados por políticas públicas,uma vez que são perspectivas positivas para a saúde e para o meio ambiente.De primeira, é necessário que o MEC desenvolva oficinas com acadêmicos de nutrição nas escolas públicas e privadas do país, a fim desconstruir a convicção de que a carne é necessária na alimentação. Ademais, o Ministério da Saúde deve veicular propagandas acerca dos riscos do consumo da carne para a saúde e dos impactos causados na natureza nas redes.