O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/11/2020

O Relatório Brundtland, documento publicado em 1987, conceitua desenvolvimento sustentável, que diz respeito à capacidade de atender às necessidades da geração atual, sem impedir que a futura faça o mesmo. No entanto, nota-se que a maior parte da população brasileira não possui essa consciência, visto que o consumo de carne, sustentado por uma visão antropocêntrica, está relacionado à intensificação de danos à natureza. Diante disso, a preeminência errônea do ser humano tem como reflexo a maximização dos problemas ambientais. Logo, faz-se necessárias intervenções de cunho educativo.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a noção deturpada de superioridade humana fortalece essa problemática. Sob essa ótica, segundo o filósofo Peter Singer, o “especismo” considera o ser humano superior às demais espécies, o que faz com que essas sejam usados para satisfazê-lo. Nesse viés, essa concepção nociva individualista é observada no corpo social, posto que a alimentação composta por bichos mortos poderia ser substituída, dado que existem regimes alimentares que não envolvem sofrimento animal, como o vegetarianismo e o veganismo. Dessa forma, essa exploração resulta no assassinato em massa de animais, o que demonstra um desrespeito à vida desse seres.

Ademais, vale destacar que essa postura egoísta gera impactos ao ecossistema. Nesse sentido, o documentário “Cowspiracy” evidencia que a pecuária demanda a utilização de um volume hídrico gigantesco e atua no aumento do efeito estufa, uma vez que a quantidade exorbitante de gado emite gases que agravam esse fenômeno. Tendo isso em vista, a dieta carnívora prejudica a qualidade de vida da sociedade, haja vista que um ambiente preservado e equilibrado é essencial à saúde dos indivíduos. Desse modo, o esgotamento da água, aliado ao aquecimento global acentuado pelo acúmulo de gases  do efeito estufa, contraria a proposta do Relatório Brundtland.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de reduzir o consumo de carne, cabe ao Ministério do Meio Ambiente divulgar, por meio dos veículos midiáticos, os danos que a pecuária causa ao ecossistema. Tal ação também deve salientar a exploração animal, mediante recursos audiovisuais que expõem a realidade cruel dessa indústria, com o fito de sensibilizar os cidadãos para que eles, ao menos, reduzam a ingestão de carne. Assim, os brasileiros adotarão uma postura mais consciente, o que fará com que o país contribua para a sustentabilidade apontada pelo Relatório Brundtland.