O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 20/07/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond, fazer uma analogia a respeito das consequências de certos hábitos alimentares para o meio ambiente. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também ao agronegócio.

De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação à imposição de limites às atividades da agropecuária extensiva e do agronegócio, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pela ecóloga Ima Vieira, os quais apontam que 80% do desmatamento na região amazônica ocorre em virtude da atividade pecuária, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.

Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. A 3ª Lei de Newton assegura que, para toda ação, há uma reação de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, a ação do agronegócio de destruir o ambiente, com objetivo de ampliar a produção, provoca reações em cadeia que trazem consigo adversidades socioambientais. Ainda assim, diante desse cenário, observa-se, por intermédio de inúmeros protestos contra o desmatamento, que o brasileiro se preocupa com o meio ambiente, mas poucos percebem a relação entre o consumo de carne e o crescimento do agronegócio. Posto isso, práticas ambientais e sustentáveis devem ser adotadas o quanto antes, para que, consoante a máxima do filósofo alemão Hans Jonas, o homem e o efeito de suas ações não comprometam a qualidade de vida e a saúde das futuras gerações.

Logo, para que o triunfo sobre as consequências negativas de certos hábitos alimentares ao meio ambiente seja consumado, urge que o Ministério do Meio Ambiente, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova fiscalizações e penas mais rígidas aos descumpridores das leis ambientais, de modo a garantir a preservação ambiental. Ademais, postos de vigilância devem ser construídos, com o fito de intensificar à patrulha. Além disso, recursos deverão ser aplicados na criação de campanhas publicitárias, com objetivo de explicar a relação entre o consumo de carne e o agronegócio para a população, com objetivo de evidenciar formas alternativas de combater o desmatamento.