O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 20/07/2020

A evolução alimentar, do gênero taxonômico Homo, teve seu início constituído por nutrientes oriundos, basicamente, da coleta. Nessa lógica, com o passar do tempo e a descoberta da caça, o homem aderiu o consumo de proteína animal e, posteriormente, desenvolveu técnicas de criação para otimizar o acesso à carne. No Brasil, entretanto, as grandes criações de gado e o volumoso consumo de carne podem gerar graves problemas sociais. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de salientar a importância de se discutir os hábitos alimentares como questão social do país.

Inicialmente, é importante verificar o principal impacto das grandes criações de bovinos no Brasil. Nesse contexto, a digestão dos ruminantes produz, na cavidade estomacal denominada omaso, o gás metano que, em grandes quantidades, tem significativa participação no efeito estufa. À vista disso, o Brasil, grande produtor de bovinos, faz-se atuante no agravamento do aquecimento global, visto que a população não precisa, nutricionalmente, da quantidade de carne produzida, mas o país segue utilizando, mesmo sendo prejudicial ao globo, a agropecuária como uma das principais formadoras de seu PIB. Desse modo, é lamentável como, apesar de gerar graves problemas sociais, sobretudo para o povo litorâneo, que sofrerá com a elevação dos mares, o país segue aumentando os rebanhos bovinos.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito do volumoso consumo de carne pelos brasileiros. Nessa conjuntura, o corpo humano, ao metabolizar grandes quantidades de proteína animal, além de aumentar a produção de excretas nitrogenadas tóxicas, também aumenta os níveis de lipídios circulantes. Sob essa perspectiva, esse hábito alimentar pode ser precursor de insuficiência renal e aterosclerose, tornando seus adeptos dependentes de procedimentos de diálise e cirurgias vasculares arriscadas. Dessa forma, é absurdo como o consumo de carne, em grandes quantidades, acarreta elevado gasto público com intercorrências de saúde e ainda seja negligenciado pelo Estado brasileiro.

Nota-se, portanto, o quão danosas as grandes produções de bovinos e o volumoso consumo de carne são para a sociedade brasileira. Assim, cabe ao Governo Federal zelar pelo bem-estar, social e alimentar, da sua população. Isso pode ser feito por meio da redução dos rebanhos de bois, ao limitar o número máximo de animais por produtor e cobrar impostos extras pelos excedentes, e da conscientização do povo acerca dos riscos do alto consumo de proteínas, ao financiar campanhas que expliquem os riscos de hábitos alimentares baseados no exagero de carne. Espera-se, dessa maneira, que o gênero Homo passe a consumir carne com mais moderação, que a participação, do Brasil, no aumento do efeito estufa seja reduzida e que os danos à saúde, da sociedade, possam ser contidos.