O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 21/07/2020
A Segunda Revolução Industrial, iniciada no século XIX, proporcionou o surgimento de novas produções e contribuiu para a fomentação do consumo em sociedade. Entretanto, apesar dos incontáveis benefícios, trouxe consigo grandes impactos ambientais, no que diz respeito a produção de alimentos, uma vez que tornou-se o consumo de carnes uma opção para a sustentabilidade no planeta. Essa realidade se deve, não só de uma forte cultura alimentar consumista, mas também de uma postura capitalista por parte do governo no que tange as consequências futuras deste exposto.
Em primeiro plano, pode-se apontar o consumismo alimentar exagerado como uma das causas do problema. Nesse sentido, o documentário “Cowspiracy” mostra que a produção de carnes aumentou em 60% desde a década de noventa, haja vista que para a obtenção de 200 gramas de proteínas são gastos mais de 100.000 litros de água. Sob esse viés, é notório que a preferência por uma dieta composta essencialmente por proteínas acarreta danos irreversíveis ao meio ambiente. Dessa forma, é inquestionável a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares na sociedade atual.
De outra parte, é preciso pontuar o aspecto capitalista do governo como fator à permanência do impasse. A esse respeito, uma pesquisa divulgada pelo jornal “Campo e Cidade” revela que a demanda global por carne está crescendo em 80% nós países desenvolvidos, o que permite os setores econômicos dos países agropecuários cresçam proporcionalmente. Nesse intérim, observa-se a despreocupação com o ambiente, onde a venda de carnes é o papel fundamental para o enriquecimento do país. Por conseguinte, tal ação abrange a ideia proposta pelo filósofo Max Horkheimer, “o homem busca dominar a natureza através de uma formalidade doentia, ainda que a natureza se revolte contra ele.”
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem tal quadro. Acerca disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras e simpósios nas escolas, os quais elucidem as consequências de um consumismo protéico exagerado ao meio ambiente, com objetivo de promover a criticidade nós indivíduos, garantindo o consumo consciente de carnes no país. Ademais, urge ao Governo Federal, uma postura menos capitalista no agronegócio, através da preservação do meio ambiente, reutilizando as áreas de pastagens, adotando os sistemas Sivipastoris como opção para a criação dos rebanhos bovinos e suínos. Dessas medidas, será possível reduzir os impactos causados pela produção de carnes no Brasil.