O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 21/07/2020
Durante a Revolução Industrial, o aumento da demanda e da produção de maquinofaturas motivou a intensificação da retirada de recursos naturais como fonte de matérias-primas, assim, até hoje a população mundial sofre as consequências das ações causada ao meio ambiente há mais de 100 anos. Nesse viés, ressalta-se que o consumo de carne tem exercido o mesmo papel predatório na natureza como aconteceu na revolução das máquinas, imbróglio reforçado pelo desconhecimento da gravidade do problema pela sociedade e pela cultura preconceituosa da população em relação à dietas sem carne.
A priori, é incontestável que a desinformação social sobre os problemas causados pela indústria da carne esteja entre as causas do problema. Nesse prima, de acordo com o filósofo Platão, no Mito da Caverna, o homem visualiza uma ilusão enquanto se encontra acorrentado no mundo sensível, só descobrindo a verdade quando atinge o mundo inteligível. Seguindo essa linha de raciocínio, evidencia-se que uma parcela da população vive uma ilusão, em que desconhecem como o simples pedaço de carne em suas refeições diárias é resultado final de um processo baseado em condições precárias dos animais, de um desmatamento cotidiano de florestas inteiras para a produção de gado e utilização de uma quantidade grande de água para a carne chegar a mesa dos consumidores. Logo, a falta de conscientização de uma parte da população contribui com a destruição do meio ambiente e má condições de vida dos animais.
Outrossim, é importante destacar que o preconceito da sociedade em relação às dietas sem carne corrobora com a perpetuação dessa problemática. Nessa perspectiva, desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza em relação ao próximo. Entretando, quando uma minoria sem informação infere que hábitos alimentares apenas por alimentos vegetais é prejudicial a saúde e desmoraliza movimentos veganos, esse preconceito tira o foco das pessoas do objetivo principal que é a importância de entender as consequências do consumo de carne para o nosso planeta.
Portanto, fica evidente a necessidade de combater os hábitos alimentares de carne e suas consequências. Diante desse cenário, urge que o Ministério da Saúde, por intermédio dos meios de comunicações, promova anúncios informativos sobre como o ser humano não precisa ser carnívoro para suprir suas necessidades nutritivas, para que, assim, a sociedade entenda que o consumo de carne é apenas uma questão cultural e, desse modo, não seja mais um contribuinte do ciclo de destruição da natureza intensificado desde a Revolução Industrial.