O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 23/07/2020

Nas últimas duas décadas, houve um significativo avanço do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, e combate a pobreza no Brasil. Muito disso se deve às políticas de distribuição de renda e aumento do salário mínimo acima da inflação. Com maior poder aquisitivo, o brasileiro deixou o triste mapa da fome e passou a consumir mais proteínas de origem animal. Hoje, o país é o segundo maior consumidor de carne no mundo. No entanto, o crescimento da indústria pecuária está diretamente relacionado ao aumento do desmatamento e ao incremento da emissão de gases do efeito estufa.

De início, vale ressaltar que, devido ao aumento da demanda por carne em território nacional, há maior demanda por terras para criação de gado. Posto isso, fica evidente que a grilagem de terras e os conflitos por terra tendem a aumentar, seguindo o aumento do consumo. Segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais, o país vem aumentando progressivamente o desmatamento da amazônia. Fato que pode ser creditado à influência política exercida pelo poder econômico dos pecuaristas.

Além disso, o grande rebanho bovino brasileiro é um grande vilão do aquecimento global, pois o gás metano produzido pelo sistema digestivo dos animais tem maior capacidade de reter calor que o gás carbônico. De acordo com o World Wide Fund for Nature, WWF, o país é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa no mundo. Como a balança comercial brasileira é baseada na exportação de produtos agrícolas, é fácil perceber que a poluição gerada é oriunda dos desmatamentos e criação de animais.

Portanto, para que sejam minoradas as emissões de gases nocivos, é necessário que o desmamento seja contido. Para tanto, o Governo Federal deve intensificar a fiscalização ambiental. Um modo de financiar mais patrulhas ambientais é punindo com multas pecuniárias aqueles que descumprem a lei e destinar os recursos obtidos à fiscalização. Dessarte, certamente,  o desmatamento e o efeito estufa diminuirão.