O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 24/07/2020
Todas as vidas merecem respeito.
Ao afirmar, em sua célebre canção “O tempo não Pára”, o poeta Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre futuro e o passado. De fato, ele estava certo, pois o consumo excessivo de carne animal não é um problema atual. Desde a Antiguidade, na Grécia-Romana animais eram mortos para servirem como alimento à população. De mesmo modo, na contemporaneidade, o hábito ainda persiste, seja por falta de informação sobre as dietas veganas e vegetarianas, seja por fatores culturais e religiosos.
Em princípio, a educação é o fator principal no desenvolvimento de um País. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado desse contraste é definido na falta de informação da população sobre as dietas veganas e vegetarianas. Segundo estudo presente no livro “O Atlas da Carne”, o consumo de carne aumentou 28% desde 2012 e deve aumentar dez vezes mais até 2050. Nesse sentido, algumas pessoas não aderem a dietas com redução ou isenção de carne animal, por acreditar que a dieta não é nutritiva. Em contrapartida, segundo o médico Giles Yeoa, a carne animal pode ser substituída por grãos, legumes e suprimentos sem prejudicar a saúde do indivíduo.
Faz-se mister, ainda, salientar os fatores culturais e religiosos como impulsionadores do consumo inconsciente de carne animal. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, o Instituto Nina Rosa publicou um artigo no qual diz que “comer carne é cultural”, pois o ser humano tem necessidade de se sentir superior em relação aos outros seres, o que faz pensar que a vida animal importa menos do que a vida humana. Ademais, religiões como o Candomblé, praticam o sacrifício de animais em alguns dos seus rituais e alguns seguidores tem como obrigação comer carne animal.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério do Meio Ambiente juntamente com o IBAMA, deve exigir por lei a redução do consumo de carne animal, para o bem da floresta Amazônica, que é fortemente impactada com a ingestão de carne animal por humanos e também pela vida animal, que deve ter sua saúde assegurada. Dessa forma, o Brasil poderia superar o consumo excessivo de carne animal, amenizando problemas atuais que futuramente podem ser agravados caso nenhuma medida seja tomada e respeitando todas as vidas existentes.