O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 24/07/2020
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que, segundo o Ministério da Saúde, metade dos brasileiros estão acima do peso. Sob esse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: a necessidade cultural em comer carne todos os dias e a vantagem que redes de fast-food possuem com isso. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam promover uma reeducação alimentar devem ser tomadas.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com o sociólogo Norbet Elias, o consumo de carne é cultural e estava ligado à distinção social, o que intensigficou cada vez mais a criação de gado para o abate. Sendo assim, na contemporaneirdade, há uma grande valorização desse ingrediente nas refeições, principalmente no Brasil, que é o principal exportador de carne vermelha do mundo e não possui restrições religiosas no território. Destarte, esse consumo excessivo muitas vezes é optado dentre outros alimentos necessários, como verdutas e vegetais, que acabam não tendo a devida prioridade, caracterizando uma refeição pobre em nutrientes que corrobora para a obesidade.
Concomitantemente, soma-se ao supracitado que as empresas de fast-food são grandes contribuidoras para esse cenário, já que seus cardápios contam sempre com muitas variedades e quantidades de carnes, principalmente a de gado. Dessa forma, as indústrias de exploração animal seguem lucrando desenfreadamente, da mesma forma que prejudicam o planeta. Vale ressaltar que a pecuária é responsável por 80% do consumo de água doce do planeta, além de ser a maior emissora de gás metano na atmosfera, sendo esse gás cerca de 21 vezes mais poluente que o gás carbônico, conforme dados do Greenpeace. Percebe-se, então, que a atual situação não prejudica somente o bem-estar humano, como também prejudica a saúde do planeta.
Perante o exposto, são necessárias medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Ministério da Saúde garanta uma maior adesão de programas de educação alimentar, como o PNAE (Pragrama Nacional de Alimentação Escolar), em escolas públicas e privadas, para que crianças e adolescente tenham mais informações sobre alimentação e as variedades que deve-se consumir. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo, através de uma ementa, torne obrigatório opçõs vegetarianas e veganas nos cardápios de empresas de fast-food, para que essas opções sejam mais acessíveis a comunidade local, além de gerar uma maior influência na substituição de carne, o que garantirá melhor saúde e bem-estar a toda população.