O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 24/07/2020

A teoria populacional malthusiana, desenvolvida pelo clérigo britânico Thomas Malthus, defende que o crescimento populacional superaria a oferta de alimentos, de modo que a maior parte da população iria viver em fome e miséria em um futuro próximo. De forma semelhante, apesar de essa teoria ter sido refutada em decorrência do avanço da tecnologia, a sociedade atual caminha para uma enorme crise ambiental, de abastecimento e até mesmo de saúde resultante do consumo exacerbado e quase impositivo de carne em quase todo o planeta. Desse modo, é explícita a necessidade de que a população seja instruída a respeito dos impactos que sua alimentação gera tanto no meio ambiente, quanto na própria saúde.

Sob a égide do filósofo prussiano Immanuel Kant, o homem é fruto do que a educação faz dele. Sendo assim, se condicionado a consumir produtos animais de forma sustentável, ou até mesmo abolir o uso de tais produtos na alimentação, o homem poderia manter viável a produção de alimentos sem causar danos irreparáveis ao ecossistema terrestre. Entretanto, é inegável que na grande maioria das culturas, a ingestão acentuada de carne é imposta desde a infância, seja pela própria família, seja pela propaganda massiva em torno desta mercadoria, que conduzem o sujeito a supor, erroneamente, que a carne é um produto indispensável em uma refeição completa e nutritiva, ou apenas saborosa.

Ademais, como foi expresso no documentário “What The Health”, dirigido por Kip Andersen, uma dieta baseada em vegetais, além de suprir as necessidades nutricionais do ser humano, poderia ser muito mais saudável que a alternativa carnista. Isto porque, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), as carnes processadas aumentam de forma significativa o risco de câncer; além de viabilizar o contágio por doenças originadas em animais, como por exemplo, a gripe aviária e os diversos tipos de coronavírus. No entanto, lamentavelmente, essa informação é pouco divulgada na mídia e ainda menos levada em consideração pela maioria cidadãos, que simplesmente têm como natural a exploração animal para a produção de alimento, sem realmente refletir a respeito.

Fica evidente, portanto, a urgência de uma intervenção do estado, que por intermédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, deve elaborar e, em parceria com a mídia, disseminar por meio de propagandas informativas, uma alternativa ecologicamente viável  — como por exemplo, o vegetarianismo — para diminuir o consumo exagerado de carne pela população; para que, a sociedade reformule aos poucos seus hábitos alimentares, de maneira a entrar em harmonia com o meio ambiente e com seu bem estar individual.