O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 25/07/2020
De acordo com o filósofo Max Weber, uma ação social tradicional define-se como aquela em que o indivíduo age por impulso, hábito e crença. Sob esse viés, infere-se que o consumo excessivo de carne na sociedade brasileira, por ser movida pelo hábito, tornou-se uma ação social tradicional.Tal atividade acarreta diversas consequências negativas para o meio ambiente. Outrossim, a mortandade de uma imensa quantidade de animais faz urgir medidas de conscientização, com o fito de diminuir a ingestão de carne da sociedade.
Evidentemente, é notório que o consumo de carne no Brasil tem sofrido um acréscimo considerável nas últimas décadas. Esse fato acarretou na intensificação de diversos danos ambientais que, a menos que esse crescimento cesse, podem alterar as condições de sobrevivência dos seres humanos. Conforme o documentário “Cowspiracy”, exibido na plataforma “Netflix”, a pecuária gera diversas consequências diretas para o meio ambiente. Por exemplo, o gasto exorbitante de água, a liberação de imensas quantidades de gases do efeito estufa e a compactação do solo, fator que impede a fertilidade dele. Sob esse prisma, denota-se que se os hábitos de alimentação da população não forem alterados, as consequências recairão sobre a natureza e, por conseguinte, sobre a sociedade.
Ademais, cabe ressaltar que os animais preparados para o abate sofrem uma crueldade incomensurável, por exemplo, na pecuária intensiva, em que as criaturas passam a vida toda confinadas em pequenos espaços. Em vista disso, denota-se que o consumo excessivo de carne serve como um mecanismo de manutenção da brutalidade contra os animais e dos altos índices de mortandade desses seres, que são sencientes assim como os humanos. Segundo o filósofo Albert Schweitzer a humanidade só poderá avançar, principalmente quanto a alteridade, quando os indivíduos aprenderem a respeitar o menor dos seres, seja animal ou vegetal. Em resumo, infere-se que a perversidade, a qual os animais são submetidos, pode ser mitigada caso os indivíduos diminuam a ingestão de carne. Tal fato tornará os humanos mais empáticos.
Em suma, com a finalidade de atenuar as problemáticas supracitadas, o Ministério da Educação, em conjunto com a mídia televisiva, deve criar uma campanha de incentivo à diminuição do consumo de carne. Essa deverá ocorrer por meio de comerciais divulgados em rede aberta, e palestras ministradas por nutricionistas em praças públicas. Para tanto, profissionais da área devem ser contratados com o fito de realizar essas atividades. Desse modo, os indivíduos poderão modificar essa ação social tradicional e trazer diversos benefícios para a comunidade.