O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 26/07/2020
No documentário “Cowspiracy”, há a abordagem sobre os impactos ambientais causados por conta do consumo de carne, prática comum no mundo como um todo. Infelizmente, a realidade brasileira não destoa do apresentado na cinematografia, visto que esse hábito ainda é popular e responsável pelo aumento do desmatamento e da emissão de metano causados pela criação de animais e pelo consumo desenfreado de carne pelos cidadãos.
Em primeira análise, o consumo de carne é um dos fatores responsáveis pela deterioração do meio ambiente. Segundo dados do Banco Mundial, a criação de animais voltada para a alimentação é culpada por 51% da mudança climática ocorrida graças às ações antrópicas. Tal cenário ocorre, pois grandes espaços são desmatados, não apenas para servirem como pasto para bichos, como também para serem lavouras de soja - matéria-prima das rações para os alimentar. Ademais, o gado libera como produto de sua digestão grandes quantidades do gás Metano, o que contribui para o agravamento do efeito estufa, visto que, de acordo com “Cowspiracy”, o mesmo é mais potente que o dióxido de carbono.
Outrossim, apesar de ciente acerca da realidade mundial causada pelos impactos da criação de animais, boa parte da população não procura muda seus hábitos alimentares. Conforme o Atlas da Carne, criado pela Fundação Heinrich Boell e pela Ong Friends of the earth, o consumo desse gênero alimentício cresce cada vez mais, o que influencia, consequentemente, no aumento da produção do mesmo, resultando em mais impactos negativos na natureza. Esse viés pode ser explicado pela teoria econômica de Adam Smith, a qual afirma que quanto maior a procura por determinado produto, maior, também, a demanda. Por esse motivo, campanhas como “Dia Mundial sem Carne” vêm sendo divulgadas em redes sociais com o intuito de conscientizar a população sobre essa questão.
Portanto, urge a necessidade de tomada de medidas para a resolução da problemática. A mídia deve divulgar campanhas - como o “Dia Mundial sem Carne”, de modo que as mesmas cheguem para diversas pessoas, seja por meio de propagandas ou por meio de noticiários. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir no currículo escolar o ensino sobre nutrientes de alimentos, com o objetivo de incentivar o consumo de outros gêneros alimentícios que contenham a mesma carga nutricional da carne e, por meio de palestras, mostrar aos jovens os impactos que o consumo desenfreado desse alimento causa no planeta, de modo a contornar os dados apresentados pelo Banco Mundial e pelo Atlas da Carne.