O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 27/07/2020
Conforme pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o consumo anual de carne no país atualmente é superior a 40 quilos por pessoa. Isso porque, com o advento da Segunda Revolução Industrial, o aumento da produtividade e a redução nos custos para a produção de carne levaram a uma mudança drástica nos hábitos alimentares da população. No entanto, o elevado consumo de carne na sociedade brasileira é responsável por diversos impactos, tanto para o meio ambiente quanto para a saúde da população. Sendo assim, é fundamental que medidas sejam tomadas a fim de reduzir o consumo de carne e construir hábitos alimentares mais saudáveis.
Primeiramente, o elevado consumo de carne faz parte da cultura alimentar brasileira. Por esse motivo, é comum a carne estar presente na maior parte das refeições e poucas vezes tal hábito é questionado. Porém, muitas doenças estão associadas ao consumo elevado de carne vermelha. Nesse contexto, o documentário norte americano “What The Health”, associa o consumo de carne a doenças como a hipertensão, a diabetes e o câncer, além de evidenciar a melhor qualidade de vida proporcionada pelas dietas veganas e vegetarianas.
Além disso, a atividade agropecuária é a principal responsável pelo desmatamento das florestas brasileiras e pelo consumo de água. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 80% do desmatamento da Floresta Amazônica é consequência de atividades pecuárias. Portanto, a redução no consumo de carne não se trata apenas de uma questão alimentar, mas também tem papel importante no que diz respeito à preservação ambiental.
Logo, é essencial que medidas sejam tomadas a fim de reduzir o consumo de carne e estimular o questionamento sobre os hábitos alimentares. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir palestras, aulas e debates sobre educação alimentar na grade curricular, com o objetivo de formar cidadãos críticos e que saibam fazer escolhas conscientes acerca de sua alimentação. A mídia, por sua vez, deve incentivar a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis, por meio do estímulo a empresas que produzem alimentos vegetarianos e veganos, a fim de oferecer alternativas práticas ao consumo de carne. Por fim, tais empresas podem patrocinar influenciadores digitais vegetarianos e veganos que, em troca, anunciam os produtos e seu estilo de vida para um grande público, influenciando muitos jovens a adotar tais estilos de vida. Somente assim será possível construir hábitos alimentares mais saudáveis e diminuir os impactos ambientais provenientes da alimentação.